Ansiedade

Ter ansiedade é uma droga, uma droga mesmo. Ela te vicia, faz você não ter noção de muitas coisas, além dos sintomas físicos: mãos suando, coração acelerado, calafrios e medo, um medo fora de si.
O pior disso tudo é que ninguém te entende, parece que você é um ser totalmente estranho, habitando um mundo que não te pertence. Várias vezes, você pensa: por que eu? — E é uma resposta que nunca teremos.
Os pés ganham vida própria e ficam se mexendo rapidamente, a mão, quase sempre na boca, é cercada de feridas nos dedos. Unhas? Não existem mais. Qualquer compromisso vira um pesadelo, qualquer conversa inacabada se torna um transtorno e tudo, TUDO, faz com que você se sinta mal. 
Se tiver uma viagem para daqui meses, hoje a roupa é posta na mala. Se quiser marcar algo com os amigos, o convite é feito quinze dias antes. O imediatismo se torna algo só seu e faz com que as pessoas achem que você tem pressa — mas você não tem.
Então, cansada procura ajuda, chora, grita, corre e tenta. Nem sempre é fácil dominar a ansiedade e muitas vezes não conseguimos fazê-la sozinhos, remédios são passados, sessões com profissionais são recomendados e você ali, sentado no divã, com os pés mexendo: o corpo ali e a cabeça lá longe. “Depois que eu sair daqui, preciso fazer isso, isso, isso […]”, é uma coisa que você não controla, não domina. Sabe a caça e o caçador? Você É a caça, a presa indefesa do animal ansiedade, que está ali para quando ela desejar.
E então, todos os dias se torna uma luta para sobreviver e se sentir vivo, porque apenas existir não basta, queremos mais do que isso.
Outra coisa: você não está louca!

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