Eu era demais pra ele
Ansiedade;
A
N
S
I
E
D
A
D
E
ansiedade;
substantivo feminino
1.grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia.
“a demora no atendimento causava-lhe a.”
2.
fig. desejo veemente e impaciente.
“com grande a. aguardava o seu casamento”
3.
fig. falta de tranquilidade; receio.
“com a., procurava um lugar para ocultar-se”
4.
psicop estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso.
É, sou uma pessoa ansiosa desde que me conheço por gente, mas quando fui crescendo, ela só piorou. Se tornou minha amiga inseparável e minha divisora de águas. Nunca a usei como desculpa — apesar de parecer. Ela também inspirava cuidados: remédios caros e com efeitos colaterais quase insuportáveis nos primeiros dias.
E um desses remédios me fez perder a cabeça: queria acabar com tudo. Ameacei tirar a minha vida para acabar com a dor que eu sentia, uma dor que não sabia de onde era. Enxerguei o medo em seus olhos e uma pontada aguda de dor atravessou meu coração — eu te perdera.
Senti minha cabeça girar e meu corpo paralisar, lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto meu estômago me socava por dentro. Te segurei e pedi que não me deixasse cair… Você não me estendeu a mão. Via seus braços cruzados enquanto eu lutava para não cair num precipício. Por mais que eu gritasse, por mais que pedisse, você me negava ajuda.
Quando cheguei lá no fundo e pedi que tentasse mais uma vez, você cortou a corda, minha única saída. Abracei minhas pernas e chorei, chorei até meus pulmões pedirem socorro, até vomitar todas os medos que estavam dentro de mim. Gritava seu nome, mas você já tinha partido.
Enquanto eu perdia minhas forças naquele buraco, pessoas me procuravam. Dias se passavam e eu ali, sem esperanças. Não comia, não bebia, não dormia. Repetia seu nome incansavelmente, pedia pra Deus te trazer de volta pra mim, pedia que Ele fizesse com que você me perdoasse.
Finalmente alguém desceu — mas não era você. Essa pessoa me abraçou, olhou bem nos meus olhos e me prometeu que tudo ficaria bem (e ficou).
Já faz quase dois meses que fui tirada daquele buraco, já faz quase dois meses que já não sinto mais aquela dor. O buraco que você deixou em mim finalmente está se fechando e quando ouço seu nome, não sinto mais nada.
Depois de algum tempo notei que isso aconteceria, mais cedo ou mais tarde.
Nunca foi amor (da sua parte), sempre foi algo a menos, algo mais carnal. Como você daria conta de me proteger e me curar sem me amar? Como conseguiria lutar por nós dois e contra isso que existe dentro de mim? Como passaria algumas noites em claro, enquanto a ansiedade não me deixava dormir, perdendo suas horas de sono, sem ter a certeza de que eu era a mulher da sua vida? Mas sabe, felizmente existem pessoas ao meu redor que tem certeza do amor que sentem por mim e elas me salvaram — e salvarão sempre que eu precisar.
A ti, desejo todo amor do mundo e espero, de todo coração, que quando alguém for se jogar, você estenda sua mão e a puxe… Ela pode não ter ninguém além de ti para descer e salvá-la.
