Surto

Quando dei por mim, já tinha jogado tudo no chão. Ele estava me olhando, incrédulo, enquanto minhas mãos tremiam. As lágrimas desciam pelo meu rosto enquanto eu recolhia os cacos dos presentes que lhe dera.
Gritos, xingamentos e um pedido educado para eu ir embora.
Peguei minhas coisas, sentei no chão e chorei. Coloquei toda a minha alma pra fora, minha cabeça pulsava de dor e minhas mãos procuravam alguma ajuda dentro da bolsa.
Achei alguns comprimidos para depressão — uns dez, no mínimo — e os enfiei na boca, criando coragem para engoli-los. Alguém me fez cuspir.
Mais choro, abraços e um pedido sincero de desculpas. Promessas de que meu surto nunca mais aconteceria e que aquilo não era eu — e realmente, não era.


Não sei quanto tempo se passou desde que isso aconteceu. Parece que faz bons anos. Sei que minha promessa ainda está valendo, sei também que não sou aquela pessoa descompensada que destrói tudo e todos. Sei também que darei sempre o meu melhor pelos outros e principalmente por mim. Me sentir sem controle foi uma das piores sensações do mundo… E aqueles olhos verdes me encarando com dor foi a pior visão até hoje.