Os Segredos do Caos — Casa

Evitei o tema o máximo que pude, assim como tenho evitado outros temas muito polêmicos, mas os últimos acontecimentos me levaram a escrever sobre essa lugar de aconchego chamado: casa.

Na minha mais pura honestidade sempre tive dificuldade em encontrar o meu lar, sim eu cresci com os meus pais biológicos, sim, sempre tive a estrutura de uma casa, mas a sensação de pertencer a ela nunca esteve em mim, mesmo após ter vindo à São Paulo e ter casado, nunca foi algo pleno. Sei que ao escrever sobre isso soa como ingratidão com a própria vida, mas me sinto grata, a minha própria maneira me sinto.

Fotografia feita no dia 31.03.2016 — Motivo: registrar os raios de sol que entravam pela varanda

O que alcancei no lugar onde moro está muito mais relacionado a realização pessoal, eu realizo um sonho todos os dias desde que moro onde moro, é sobre ter a própria privacidade, os próprios rituais é o meu auge de individualidade.

Lembro bem quando estava tudo certo para a minha mudança, o pensamento que tive foi simples: lá será meu lugar sagrado, e hoje posso dizer que é.

Tempo e espaço são importantes, na física e na minha vida, na minha casa estes aspectos essenciais são devidamente respeitados e a leveza impera.

Os sentidos são importantes para mim, eu gosto de ver tudo organizado e limpo, aprecio o cheiro bom de pitanga, lavanda e bamboo que tem na minha casa, de sentir a textura das minhas almofadas, tapetes e almofadas, degustar da comida que eu mesma preparo e acordar/dormir ouvindo as músicas que eu escolhi e neste processo inteiro sinto estar em Sinestesia.

Há dias em que acordo mais cedo e espero pelos primeiros raios de sol pairando sobre os prédios e em outros registro as cores se misturando em um lindo pôr do sol.

Eu fui buscar sobre alguma deusa da mitologia grega que representasse todo o simbolismo da casa e o Google me vem com a Ártemis, em outras palavras “Suelen, bacana que você ama a sua casa, mas vamos te apresentar a deusa que é o símbolo maior do feminino, da liberdade e autonomia” e então eu pensei “é Google eu amo a minha casa e tudo, mas gostei tanto da Ártemis que se um dia eu chegar a ter uma filha vou chama-la de Diana (que também é uma versão do nome da Ártemis) quero que ela aprecie sua feminilidade, liberdade e autonomia tanto quanto a sua mãe”, e enquanto escrevia estava dentro de um avião a caminho do Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro, bom, eu aplico behaviorismo em mim mesma, é a minha própria gameficação, se cumpro uma determinada meta eu me dou um prêmio, no caso a viagem para o Rio de Janeiro era um presente por eu deixar o meu querido apartamento, aí o Caos chega com seus truques mirabolantes: não foi necessário deixar o apartamento.

Era dia 25 de Abril:

25: um dia múltiplo de 5, um dia na minha timeline da vida eu decidi que os dias múltiplos de 5 seriam especiais, e geralmente o são mesmo, nem que eu tenha que usar a minha criatividade para ser, eles acabam sendo.

Abril: de um modo estranho e particular a sensação que eu tenho é que o ano começou em Abril, muitas pontas se encontraram neste mês. Muito se resolveu nele. Abril foi tão incrível que poderia ser eterno.

O que aconteceu de tão particular neste dia é que ele estava planejado para ver minha melhor amiga desfilar em São Paulo, e eu acabei aceitando feliz da vida uma oportunidade que surgiu e por causa dela eu pude continuar a morar na minha adorável casa.

O meu dia 28 de Abril é marcado com a certeza de que pelo menos por mais dois meses eu sigo morando lá onde estou, depois disso só Deus sabe e enquanto isso cada segundo no lugar que me sinto em casa é sagrado.

E enquanto escrevo todas as músicas na ordem aleatória em uma sequência de três se chamam: home. Coincidência? Coincidência é uma resposta preguiçosa.

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