
A alta intensidade dos seus sentimentos pode estar lhe deixando extremamente cansado
Artigo original em inglês por Emma Seppala na HBR. Clique aqui para acessar.
Tradução por Suellen Machado
Porque você está sempre exausto ao final de um dia de trabalho? Porque você chega em casa destruído, com quase nada de energia para preparar o jantar antes de se jogar na cama?
Normalmente quando pensamos sobre cansaço associamos com as razões físicas: poucas horas de sono, exercícios intensos ou longos dias de trabalho pesado. E em boa parte é isso mesmo, segundo me esclareceu Elliot Berkman, professor de fisiologia da Universidade de Oregon. Nos dias atuais quando poucos de nós temos trabalhos que demandam energia física estamos mergulhando no cenário dos fatores psicológicos, outro importante fator.
Afinal de contas o esforço físico que fazemos durante o dia no trabalho não é necessariamente o responsável pela fatiga quando chegamos em casa. Se você é um construtor, agricultor ou médico residente trabalhando dia e noite sem intervalos, sim a exaustão física é provavelmente a razão do cansaço extremo. Mas do contrário, Berkman alerta que a fadiga é na maioria das vezes psicológica. “Seu corpo se cansa até o ponto de você não conseguir fazer nada?” Pergunta Berkman. “A verdade é que demora muito tempo para chegarmos no ponto de completa exaustão física. ”
E uma das principais razões para a nossa exaustão mental são as emoções de alta intensidade.
Uma das formas que os psicólogos distinguem as emoções é através de duas dimensões: positiva/negativa e alta intensidade/baixa intensidade. Em outras palavras, emoções positivas (como eufórico e/ou sereno), negativa (como bravo e/ou triste). E de alta intensidade (eufórico e/ou bravo) e de baixa intensidade (sereno e/ou triste).

É fácil observar como a alta intensidade de emoções negativas nos afeta ao longo do dia — e não somente frustração e raiva. Muitos de nós colocamos todo o stress em ordem de concluir as tarefas. Enchemos nossos corpos de adrenalina e cafeína, abarrotamos a agenda de atividades, esperamos até o último minuto para concluir os projetos, esperando pelo modo “lutar ou fugir”, acreditando que precisamos de um certo nível de stress para sermos produtivos.
Mas alta intensidade de emoções positivas também pode ser desgastante. E pesquisas mostram que — especialmente os ocidentais e os americanos particularmente — prosperam mais lidando com emoções positivas de alta intensidade. Pesquisa feita por Jeanne Tsai, da Universidade de Stanford, com quem já conduzi diversos estudos, mostra que quando você pergunta a um americano como ele gostaria idealmente de se sentir, ele está mais inclinado a mencionar emoções positivas de alta intensidade, como eufórico, radiante, por exemplo, do que emoções positivas de baixa intensidade, tais como: como relaxado ou satisfeito. Em outras palavras, americanos igualam felicidade com alta intensidade. Culturas asiáticas, em contrapartida valorizam mais emoções positivas de baixa intensidade, como serenidade e paz.
Quando Jeanne e eu começamos o estudo para entender porque americanos valorizam emoções positivas de alta intensidade, descobrimos que eles acreditam que precisam delas para ter sucesso na vida — especialmente para controlar e influenciar. Em outro estudo que conduzimos, por exemplo, as pessoas queriam sentir emoções positivas de alta intensidade, como excitação quando estavam envolvidos em alguma tarefa envolvendo controle ou tentando influenciar outra pessoa. Essa intensidade é refletiva na linguagem que usamos para discutir objetivos e metas no trabalho: *we get fired up (colocar fogo), pumped (bombar) or amped up so that we can bowl people over (algo como strike no boliche), crush projects, or crank out presentations (fazer sem pensar rapidamente) — essas expressões dão a entender que precisamos no mundo corporativo estar sempre em posição de ataque.
*As expressões quando traduzidas literalmente não tem o mesmo sentido em português que na língua inglesa. Por isso mantive os termos originais em inglês também.
O problema, no entanto, é que essas emoções de alta intensidade são psicologicamente desgastantes. Excitação, mesmo quando é por diversão, envolve o que os psicólogos chamam de “excitação fisiológica” — ativando o nosso sistema (lutar ou fugir). Emoções positivas de alta intensidade envolvem a mesma excitação fisiológica do que as emoções negativas de alta intensidade, como ansiedade e raiva.
Nossos batimentos cardíacos aumentam, as glândulas sudoríparas são ativadas e nos assustamos facilmente. Tudo isso porque nosso corpo ativa a sua resposta ao stress. Excitação pode esgotar o sistema imunológico quando mantida por longos períodos — stress crônico compromete nossa imunidade, memória e concentração. Isso quer dizer que, alta intensidade de emoções — sejam elas de origem negativa, como ansiedade ou positiva como, excitação — desgastam o corpo humano.
Emoções de alta intensidade também desgastam nossa mente. É difícil manter a atenção quando você está altamente estimulado e excitado. Sabemos através de pesquisas feitas por ressonâncias que quando estamos sentindo emoções intensas, a amidala é ativada — essa é a mesma região que acende quando você ativa o sensor de “lutar ou fugir”.
Precisamos fazer um esforço estratégico para controlar as emoções em uma parte diferente de nosso cérebro, localizado no córtex pré-frontal, de forma a nos acalmarmos de forma suficiente para concluir a tarefa. Esse controle das emoções requer um esforço adicional.
O resultado? Você fica cansado facilmente. Tanto faz se você está empolgado, ansioso ou excitado, você está sugando uma de suas mais importantes reservas: a energia.
Excitação, obviamente, pode ser uma emoção positiva e fazer você se sentir muito melhor do que quando está estressado. Mas é como açucar que faz você se sentir bem por um curto período de tempo, depois envia a mensagem para o seu corpo de que fisiologicamente ele está próximo de desligar se não obter mais. Você ficará cansado mais brevemente do que se estivesse em um estado mais próximo da tranquilidade.
Isso não quer dizer que você nunca deve se sentir estressado ou excitado — ou deveria perder seu entusiasmo pelo seu trabalho. No entanto, eu estou sugerindo que dedique mais tempo para atividades relaxantes em sua vida e aprenda a converter para o outro lado seu sistema nervoso — o lado de “descansar e digerir”, que ajuda você a recuperar sua saúde e seu bem-estar, o tornando ser mais resiliente a longo prazo. Fazendo isso estará economizando sua energia para quando realmente precisar dela.
**Sobre a tradução: Não é uma tradução literal, é uma tradução com entendimento e ajustes para deixar no português correto. Caso você discorde de algum ponto sinta-se à vontade para comentar, séra um prazer trocarmos ideias sobre melhores formas de traduzir.