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Aprendi a falar inglês depois dos 30 anos

Assim como muitas pessoas passei boa parte da minha vida adulta pensando que jamais falaria inglês descentemente. Resolvi compartilhar minha experiência para mostrar que sim é possível dominar outro idioma, mesmo quando começamos tardiamente, como no meu caso.

Passei muito tempo da minha vida pensando que seria muito complicado aprender inglês e literalmente odiando estudar a língua. Infelizmente na minha opinião a metodologia que as escolas e boa parte dos cursos de inglês usam no Brasil nos leva a desenvolver esse terror. Na infância tinha inglês na escola, mas aquela coisa mediocre que nunca passava das cores, dos animais e do verbo “to be”.

Na vida adulta na época da faculdade tentei, mas era caro e ficava complicado de conciliar com a agenda que já era super apertada, trabalhando durante o dia e estudando à noite. No mercado profissional sempre arriscava aquele intermediário no currículo, sabendo que meu inglês não passava de inexistente. Até aí nada demais, boa parte da população brasileira vive a mesmo realidade.

A situação já me incomodava porque eu sabia que jamais conseguiria avançar muito na carreira sem um inglês razoável. Por exemplo, nunca consegui aplicar para oportunidades de trainee logo depois de formada porque não tinha inglês suficiente para aplicar para as vagas.

O impacto foi mais forte quando fiz a primeira viagem internacional e senti na pele a incomodação de não ter o mínimo suficiente de inglês para me comunicar. Foi nesse momento que tive certeza de que tinha que fazer algo drástico para mudar essa situação. Isso não mudaria se eu continuasse tentando tratar esse fato como secundário.

Eu tinha um emprego legal na época, o qual eu tinha sonhado muito conseguir, em uma empresa bacana e com muita oportunidade de crescimento. Mas esse crescimento não aconteceria sem o inglês. Depois de muito pensar, de economizar e me preparar para o momento, resolvi que pediria demissão e iria fazer intercâmbio de 6 meses em Londres. Embarquei para o intercâmbio no ano de 2013 às vésperas de completar 30 anos.

Um dos primeiros locais que fui em Londres assim que cheguei, era Março de 2013 e estava um frio super atípico para a época do ano. Tinha até nevado uns dias antes de eu chegar.

Porque Londres?

Primeiro porque eu sempre tinha sonhado em conhecer e estudar na Inglaterra, segundo porque acho a sonoridade do inglês britânico muito bonita e agradável aos ouvidos. Feita a decisão procurei o Cultura Inglesa em Porto Alegre para me assessorar. Intercâmbio é algo super delicado, na qual a pessoa pode facilmente ser enganada e “comprar gato por lebre”. Por isso acho bem importante procurar uma instituição séria e de credibilidade. Eles trabalham com orçamentos personalizados de acordo com o valor que a pessoa tem, então tem para todos os bolsos e objetivos.

Eu sabia que ia ser super complexo sair da minha zona de conforto e voltar a ser estudante depois de ter a vida pessoal e profissional consolidada, mas essa era a única saída. Por isso dei preferência para uma escola com nível adulto e mais afastada do centro de Londres. Cheguei lá no primeiro nível, o mais básico e saí no avançado, depois de 6 meses. Eu fazia aulas de manhã e de tarde, evitava ao máximo conversar em português e passava as demais horas do dia estudando. Não foi fácil, foi bem complicado, nos primeiros meses a vontade de chorar é desesperadora e os sentimentos são os mais diversos possíveis, mas já que se está no barco e a passagem não é barata, tem que abraçar e seguir em frente.

Eu lia livros e jornais, mesmo entendendo cerca de 20% do que estava escrito, escutava rádio local e passava o máximo de tempo conversando à noite com a propritária da casa que eu morava. Certamente isso fez com que eu conseguisse imerger mais na cultura e no inglês. Na minha opinião faz toda a diferença ter uma rotina de estudos diversificada e intensa, afinal eu não estava trabalhando, logo foco total nisso.

Ser fiel ao seu propósito e investimento é bem importante, então mesmo nas horas de lazer eu sempre dei um jeito de me misturar com grupos que eu tinha 100% de certeza de que falariam somente inglês

Nesse post falo mais sobre o irtercâmbio em Londres.

De volta ao Brasil não demorou muito tempo para me recolocar no mercado de trabalho em uma empresa multinacional e tenho certeza de que o inglês foi essencial para isso. Isso era no ano de 2014. O desafio agora era manter o que conquistei e não perder a fluência, o que é muito complicado quando não está vivendo a língua no cotidiano. Minha estratégia continuava sendo ler pelo menos um artigo em inglês por dia e escutar poadcasts em inglês no carro todos os dias nos meus deslocamentos.

Parece que depois que saímos uma vez da zona de conforto acabamos viciando nisso e as mudanças se tornam menos sofridas. Por motivos pessoais resolvi me mudar para Angola, na África, meu marido estava trabalhando lá, mais detalhes sobre a mudança já foram abordados aqui no blog. Pedi demissão do trabalho e fui para Angola chegando lá estava sem trabalho ainda, ou seja, com tempo para organizar uma rotina de estudos. Essa mudança aconteceu em Julho de 2015.

Decidi que enquanto procurava trabalho me dedicaria todas as tardes aos estudos. Inglês pelo menos 2 horas e demais horas para Marketing. Primeira meta que tracei foi de que faria o exame TOEIC, que é reconhecido por ser um dos mais aceitos quando se trata de “business english”. Comprei um preparatório online autorizado pela instituição que regulamenta a prova e todos os dias fazia ao menos um módulo do curso. Quando a pessoa está estudando sozinha acho importante ter uma meta, pois isso facilita buscar aquela motivação que muitas vezes é bem fácil de perder.

Adicionalmente comecei a traduzir artigos do inglês para o português e foi onde nasceu o blog. Essa prática foi muito boa para me ajudar na leitura, na compreensão de termos mais usados em negócios e comuns em textos. O preparatório on-line também foi excelente porque tem vários testes ao final dos módulos que preparam pra lidar com o tempo de prova. Com o passar do tempo consegui um trabalho freelancer em Luanda, como instrutora de treinamentos na área de marketing. Com isso continuava tendo tempo para estudar inglês.

Em 2016 decidimos uma nova mudança drástica de vida, depois de muita organização financeira e mental resolvemos nos mudar para a Irlanda, em busca de novas oportunidades de trabalho em Dublin e uma vida realmente em inglês. Em julho de 2016 fomos embora de Angola para ficar 3 meses no Brasil antes de nos mudarmos para Dublin. Nesse meio tempo em agosto fiz a prova do TOEIC e consegui um escore ótimo, por pouco não consegui o máximo. Graças aos estudos em Angola e ao preparatório on-line.

Isso meu deu um pouco mais de segurança para a mudança para a Irlanda, mesmo me considerando em um nível avançado eu sabia que chegando no País a coisa seria bem diferente, ainda mais no que se refere à mercado de trabalho. Parte do plano de mudança para Dublin incluiu o fato de termos que vir com visto de estudante de inglês, que é a maneira mais fácil de entrar no País e tentar uma oportunidade aqui.

Logo, mais uma vez lá estava eu fazendo intercâmbio depois dos 30 anos de idade, agora com 33 anos. Quando penso todas as reviravoltas que minha vida deu depois dos 30 anos fico até meio surpresa, mas isso é tema para outro post. Chegando na Irlanda hora de colocar novas metas no quesito língua inglesa. Claro que o objetivo maior era o emprego, mas enquanto ele não acontecia tinha claro na minha cabeça que deveria terminar os 6 meses de curso com a prova da IELTS feita e com o escore que queria.

A IELTS é uma prova de inglês acadêmico, que boa parte das universidades na Europa pedem para estrangeiros que desejam estudar, seja graduação, mestrado ou doutorado. Eu pretendo fazer mestrado no futuro então, já que tive que comprar o curso, a ideia era aproveitar e conseguir logo o escore necessário para quando eu puder fazer o mestrado. Na minha área boa parte das universidades requerem 6.5 como média mínima.

Chegamos na Irlanda em novembro de 2016, entrei no nível avançado e em janeiro de 2017 mudei para o curso preparatório para esse exame. Depois de 2 meses no curso fiz a prova e na primeira tentativa consegui escore 7.0. A minha estratégia seguiu sendo a mesma, leituras, escutar muito rádio e focar nos testes preparatórios para o exame.

Chegamos na Irlanda no outono, já estava frio, mas pegamos alguns dias bem lindos

Nesse meio tempo durante o curso consegui uma oportunidade de estágio, aqui o estágio é de graça boa parte das vezes, na área de Marketing de uma empresa de TI. Trabalhar escrevendo para o blog em inglês e em um escritório 100% irlandês me ajudou muito também até mesmo para a prova da IELTS, me dando muito mais confiança para a parte falada da prova. As minhas técnicas de estudo para esse exame também já foram pauta aqui no blog em um posto em inglês sobre o IELTS.

Depois de 1 mês como estagiária a empresa me contratou meio turno, pois aqui na Irlanda estudante de inglês pode trabalhar meio turno. E aí não preciso dizer que me agarrei nessa oportunidade com todas as minhas forças e garras. Quando nossos vistos de estudante expiraram meu marido Alex já estava empregado na área dele, e como o visto dele tem mais abrangência me permitiu também aplicar para meu visto de trabalho na área de marketing, mesmo essa categoria profissional não sendo reconhecida como crítica na Irlanda.

Aos 34 anos estou trabalhando 100% do meu tempo em língua inglesa, na área de marketing, escrevendo artigos para blog, redes sociais, participando de reuniões, conversando ao telefone, etc. Me sinto totalmente segura? Claro que não, é super complicado. Quero ainda poder retomar minha segunda carreira como professora de marketing, algo que já fazia com segurança no Brasil e em Angola, mas que aqui ainda não me sinto segura.

A rotina continua a mesma, estou sempre com meu fone de ouvido sintonizado em algum poadcast, na academia, no descolocamento para o trabalho. Adapto meu ouvido para os 3 principais sotaques do meu cotidiano, irlandês, americano e britânico. Sempre fico entre poadcasts nesses 3 idiomas, para não perder a prática em nenhum deles, afinal nunca sabemos o dia de amanhã. Vou colocar no final do texto o link para os poadcasts que recomendo e gosto.

Então para quem se sente um pouco “maduro” demais para começar uma nova empreitada no que se refere a aprender uma nova língua, eu digo não pense 2 vezes, se jogue. É muito bom nos sentirmos desafiados e ver nosso cérebro trabalhando loucamente. Minha dica é tenha um foco, uma meta, se desafie, tenha paciência e não deixe que outras coisas e pessoas te tirem do foco.

Mais importante de tudo é se caso você compartilhe sua vida com alguém, que seja uma pessoa que te incentive e compartilhe dos mesmos objetivos que você.

Abaixo a lista dos poadcasts que eu recomendo para quem quer dar uma reforçada no inglês. O importante é ouvir alguma coisa, minha dica é que você escolha um tema que particularmente te interesse.

BBC4 — World at one

6 Minute English

The Daily — New York Times

Newstalk Ireland

Hidden Brain

The Allusionist

The Marketing Companion

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