New York no auge do inverno e no outono

Um relato sobre a minha experiência nessa cidade incrível.

Tive a imensa oportunidade de no ano de 2015 visitar New York duas vezes, uma no inverno, final de fevereiro e outra em outubro, no outono. As duas experiências foram encantadoras e creio que merecem ser compartilhadas. A opção de ir no inverno foi algo bem planejado por mim e pelo Alex, queríamos ter a chance de ver muita neve pela primeira vez e gostaríamos que esse momento fosse em New York, sabemos que as chances seriam bem maiores se fôssemos para alguma montanha nevada esquiar, mas como essa habilidade ainda não está em nosso currículo, julgamos prudente arriscar um pague 1, leve 2. E acertamos em cheio, a cidade teve uma imensa nevasca meio que fora de época no nosso segundo dia lá. Foi a despedida do auge do inverno.

Neve no Central Park, um dia depois da nevasca um sol para embelezar o cenário

Achávamos que nossas experiências em invernos europeus nos ajudariam a enfrentar o frio da neve, mas não foram nem de perto suficientes. Logo na chegada tivemos que correr para comprar casacos mais resistentes e aquelas botas (horrendas por sinal) cheias de pelo por dentro e que protegem contra a umidade e o gelo. Bem equipados conseguimos nos jogar nas belezas brancas pelas ruas e pelo Central Park. O importante nessas horas é se aquecer e não se deixar abater pelo frio, caminhar ajuda a aquecer e a congelar o nariz também. O meu casaco tinha capuz e era impermeável, isso ajuda bastante também porque quando começa a chover é só se proteger sob ele. Para terem ideia ele é tão quente que bastava colocar uma blusa e um suéter por baixo com um cachecol e estava pronta para as aventuras externas.

Brooklin Bridge e meu look de todos os dias da viagem hehehe. Minha dica é trocar o cachecol e a cor do batom para as fotos porque o casaco e as botas esquece, serão os mesmos todos os dias da viagem, ao menos para nós brasileiros que não vivemos em climas assim tão drásticos entre uma estação e outra.

O Alex sofreu um pouco mais com camadas de roupas, pois o casaco dele não era tão quente, mas mesmo assim conseguimos umas peças de roupas especiais para o inverno que aquecem da Uniqlo, inclusive calças de moletom mais justas que ficaram ótimas por baixo das calças jeans dele. Essa loja é especializada em tecidos tecnológicos que aquecem, transpiram e mais uma infinidade de coisas, que obviamente só poderíamos esperar de uma marca japonesa. (Aqui fica minha dica de compras também, as peças são simples e básicas, mas com uma incrível durabilidade, pode colocar na máquina, misturar com outras roupas que estão sempre como novas.)

A sensação térmica tranquilamente chegava a menos 20 graus celsius devido ao vento extremamente gelado, mas a experiência foi fantástica. Mesmo com tanto frio tinha todo aquele agito que esperamos de New York, impressionante como a cidade nunca dorme, nem com toda aquela neve que se acumulava. Parques com as pistas de patinação lotadas, cafés e restaurantes animados, turistas e suas selfies, etc. Fiquei congeladamente encantada.

Conseguimos visitar todos os locais os quais planejamos ir, sei que muitas vezes acontecem nevascas que param a cidade, as coisas fecham e as ruas ficam vazias, mas para nossa sorte não foi o caso. Usávamos o recurso de que quando estávamos na rua já caminhando a bastante tempo entravamos em algum café para tomar alguma coisa e descongelar. Mesmo embaixo de neve New York é uma cidade para se conhecer caminhando.

Times Square

Eu gosto bastante de frio e realmente não me importo de turistar no inverno, particularmente prefiro, pois as cidades e os pontos turísticos não são tão lotados e cheios de filas, ainda mais quando se trata de algo tão cosmopolita como New York. Quando estive lá no outono pude constatar como as filas e a lotação da cidade fica exorbitante aos primeiros sinais de uma estação mais amena. Como o Alex também gosta bastante do frio, realmente só optamos por roteiros no verão quando os mesmos envolvem praia.

Gostei muito da beleza invernal de New York, aquele misto de prédios sem fim cobertos de neve com a fumaça que saí do chão proveniente do vapor do mêtro. Não sei como se chama essas saídas no pavimento, mas sei que sempre via nos filmes e achava o máximo, é um detalhe bem sutil, mas que faz parte da minha memória afetiva associada à cidade.

A tal da fumacinha atrás de nós e meu nariz ajudando a denunciar as temperaturas

Como era nossa primeira vez na cidade optamos por ficar no olho do furacão, exatamente na Times Square, da esquina do nosso hotel estávamos de frente para os conhecidos painéis luminosos centrais da Times Square. Foi uma ótima opção, já que estávamos indo pela primeira vez e era auge do inverno. No verão não escolheria esse local, devido a grande quantidade de turistas.

A neve e o frio já tinham me deixado incrivelmente impactada com New York, mas minha ida no outono superou, dessa vez tive a oportunidade de ficar mais tempo e explorar a cidade de uma outra ótica e foi o tijolinho que faltava para amar a cidade. Ela não desbancou Londres em meu coração, pois minha relação com a Capital Inglesa é de longa data e tem outros laços afetivos, mas certamente New York tem sim um charme bem diferente do de Londres, quem sabe qualquer hora escrevo sobre minha percepção entre esses dois locais.

Vista do High Line

Em outubro meu objetivo foi um intercâmbio de inglês para reforçar minhas habilidades com o idioma, aulas pela manhã e tarde livre. Dessa vez fiquei no Soho, pois a escola era próxima dessa região, dei preferência a um local no qual não precisasse de transporte. Essa área é muito encantadora, no passado era mais artística com várias galerias e artistas, hoje se tornou também uma área de compras, mas com lojas mais estilizadas, mais “cool”. Muitas das galerias se foram, mas aos finais de semanas as ruas ficam lotadas de artistas vendendo suas obras.

Prédio com arquitetura típica de ser vista no Soho

Para minha sorte peguei dias de sol brilhando, com uma temperatura amena entre 15 e 22 graus celsius, que são perfeitos para os passeios. Os jardins floridos e os parques verdes me encantaram, mesmo com a neve eu já tinha ficado meio aficionada com o Central Park, sem a neve e verde, andei por lá vezes sem conta! Se tiver uma próxima oportunidade de ir quero ficar próximo ao Central Park, sem dúvida.

Mas voltando ao Soho, que era onde eu estava, mais do que do bairro gostei da localização muito próxima ao Rio Hudson e nessa parte tem uma pista às margens com muita área verde e uma ótima via para correr, com vista para a área financeira de Manhattan, famosa Wall Street. Consegui correr alguns dias por alí e achei o máximo. Não é nenhuma novidade entre quem corre, querer correr nos locais que visita, mas enfim, sim eu sempre procuro correr quando estou viajando a passeio. Além de manter o pique das corridas é uma ótima forma de conhecer a cidade e a arquitetura

Uma das fotos que tirei enquanto corria nas margens do Hudson com vista para Wal Street, o prédio que se destaca é novo One World Observatory

Quando tivemos a nossa experiência nevada, eu e Alex já tínhamos caminhado desde o começo da Avenida Broadway (estávamos no Battery Park onde se embarca para ilha da estátua da liberdade) até a Times Square, algo em torno de 2 horas, é uma bela caminhada. Dessa vez no Soho explorei igualmente as caminhadas, fazendo toda a parte de Wall Street, High Line (um jardim suspenso que foi construído em cima das pontes por onde passavam os trens no passado), Meetparking District e também uma parte acima mais próxima do Central Park, o Hudson River Park. Para fins comparativos, eu estava com meu relógio contador de passos por GPS e todos os dias eu quebrava meus recordes caminhando o equivalente a oito quilômetros.

Mais um prédio icônico que a caminhada no High Line permite contemplar

Conforme já tinha comentado anteriormente a lotação da cidade no outono impressiona. Visitei novamente a estátua da liberdade, pois estava com uma amiga que não tinha ido ainda e ficamos cerca de duas horas na fila para entrar no barco que leva até a Ellis Island. Obviamente que no inverno nem pegamos fila. Assim foi em outros locais também, para se chegar em qualquer coisa perto da Times Square tinha que se estar preparado para uma grande multidão.

A fila valeu porque esse céu azul estava demais para um passeio na ilha

Como cidade cosmopolita que é as opções infindáveis tornam a visita atraente em qualquer época e seja qual for o gosto da pessoa. Se um dia você está para Museu, lá estão vários e com ótimas exibições. Consegui repetir o Moma, pois dessa vez tinha uma exibição especial do Picasso, que quando fui no inverno não tinha. Com aulas pela manhã até as 13h, visitas aos museus ficaram um pouco comprometidas, pois eu particularmente gosto de entrar e explorar bem. Confesso também que dias de céu azul quando estou viajando me convidam para ir para a rua, caminhar, ver os bairros, explorar cafés, me sinto menos interessada em ficar dentro dos museus.

Outro ponto é que na segunda vez em New York consegui usar o mêtro com um pouco mais de dignidade e não simplesmente seguindo orientações do aplicativo. Assim como os nomes das localizações na ilha de Manhattan (Uptown, Downtown, East Side, etc) finalmente fizeram sentido. Sei que não tem nenhum mistério nessa nomenclatura geográfica e a obviedade contida nela, mas quando o marinheiro é de primeira viagem e está ávido por captar o máximo de informação da cidade, isso acaba ficando em segundo plano.

Quando fomos no inverno eu e Alex subimos no topo do Empire State, o prédio é um dos ícones da cidade, tem toda uma tradição e história envolvidos. A vista é linda mas eu não curti o fato de que não é de vidro e sim com grades de segurança, você tem o vento no rosto, mas as grades não são nem um pouco a melhor opção. Quando retornei em Outubro para a minha sorte tinha acabado de ser inaugurado o World One Observatory, o prédio que foi construído no local onde ficava uma das torres gêmeas que tragicamente foram derrubadas. Claro que a vista e modernidade do prédio superam drasticamente o Empire State. Também é óbvio que a história por trás da nova torre é muito mais emocionante que a do Empire. Enfim, minha dica é que se for para escolher entre uma das vistas fique com a do World One. (Vale lembrar que aqui me ative a comentar a vista do local, o sentimento quando estamos nesse local é muito pesado, a atmosfera é triste e de reflexão.)

Vista de cima do novo prédio One World Observatory
Vista nevada de cima do Empire State no inverno
Vários fatores corroboram a minha tese de preferir a nova vista à do Empire, um deles o fato de ser mais confortável porque você está sempre protegido pelo vidro e o espaço é imenso, ou seja, não precisa se acotovelar para fotos.

Outra dica é a localização no Soho, gostei muito e achei bem menos apelativa (no sentido de consumo) que na Times Square, as caminhadas são agradáveis, a arquitetura é encantadora e tem tudo que tem na Times, no sentido de compras. É possível desfrutar dos cafés, bistrôs e restaurantes e afins de forma mais calma e tranquila, mas não pense que o tema lotação e fila deixa de existir, a cidade é sempre lotada. Mas tem um ar mais charmoso. Além do que nas regiões fora da zona central da Times é mais fácil para andar de bicicleta, assim como em outras cidades é bem fácil de alugar uma para os passeios.

Para mim as duas estações foram experiências incríveis na cidade, com tendência a gostar mais do inverno nevado porque os locais não ficam tão caóticos. A única certeza que tenho é que quero voltar lá em todas as estações do ano porque é uma cidade que sempre tem algo a mais para te mostrar.

Encerro com uma sequência de fotos clichês de turista:

Parede possível de ser vista do High Line
Adorei esse prédio, não faço ideia do nome, mas também é no High Line
Sendo clichê pelas ruas do Soho. Quem nunca?
Relógio na esquina do Central Park
Parede que achei interessante
Caminhadas por ruas e mais ruas encantadoras
Acho que em NY se tem licença para ser clichê né
Jardim no pátio externo do Moma
Exibição de esculturas do Picasso no Moma (quando estive lá em outubro)
De dentro no MET (Metropolitan Museum)
Alex sendo clichê na escadaria do MET, ele sabia que a caminhada lá dentro não seria pouca
Quando você consegue ser duplamente clichê com o taxí amarelo e o bus escolar
Pediu neve? Aguenta firme
Dentro do Moma
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.