Um lugar para se aposentar
Não que eu esteja pensando nisso nessa altura da minha vida, mas revendo as fotos do período de intercâmbio em Londres, me deparei com os registros da visita à Cotswold e lembrei porque na minha opinião esse é um local onde eu gostaria de viver quando estiver mais velha.

Primeiro motivo para achar que é uma boa se aposentar por aquelas bandas é porque a Inglaterra oferece uma ótima qualidade de vida para os mais velhos, facilidade de transporte, acesso à saúde, etc. Veja bem que não estou considerando o fator finaceiro, pois sabemos que o custo de vida lá pode ser bem elevado também. Cotswold, por exemplo, fica relativamente perto de Londres, pegamos um trem até Bibury (cerca de 1h30), que era a estação mais próxima, e lá uma amiga com carro e acostumada a dirigir pela região nos esperava para rodarmos pelos vilarejos.
A característica da região é preservar essas casinhas com telhados de feno (foto abaixo), de sei lá eu quantos séculos atrás, tudo por lá tem alguma placa com inscrição de 1800 e alguma coisa. Conversando com a nossa amiga guia descobrimos que não é nada barato morar nessa região, essas casas exigem uma preservação danada e qualquer tipo de mudança ou ajuste deve ser consultado antes. Em geral as pessoas que possuem residências nesses locais, também tem alguma outra casa em uma cidade mais metrópole, como Londres, Manchester, etc.

Essa é uma região bem agrícola, então entre um vilarejo e outro você passa por muitas fazendas. Eu que sou do Rio Grande do Sul já estava mais acostumada com ovelhas e cavalos por todos os lados, mas impressiona a infra e como há muitos séculos atrás eles já tinham acesso e construíram aquilo tudo. Os campos de lavanda particularmente me deixaram encantada, é um perfume leve e doce por todo o local, além do visual quando elas estão florescendo.

É uma paisagem bucólica, calma e tranquila demais, muito diferente do que temos em nossas vidas cotidianas e caóticas nas grandes cidades. Tudo parece que acontece em um outro ritmo: um café escondido em um canto da cidade, no outro um pub antigo com balcão de madeira e aquela luz fraca amarela. Obviamente isso tudo faz parte do cenário e lá também tem loja de suvenier, sinal de que turistas vão até lá. Mas muitos deles da própria Inglaterra, durante o dia que passamos rodando pela região não me senti em um passeio turístico em nenhum momento.
Mas quando precisamos de civilização ela estava lá, com telefones que funcionavam, com sinal de internet, um mercadinho amigo para comprar água, um café delícia para comer uma torta e uma lojinha de vende todos os tipos de coisa, inclusive uma sombrinha e sapatilha para quem molhou a sua de pano na chuva (leia-se eu). Mais motivos que me levam a crer que é um bom local para a aposentadoria. Afinal ok procurar o paraíso idílico da natureza para passar os dias, mas ninguém precisa passar trabalho.




Alguns vilarejos pelos quais passamos são mais movimentados do que outros, esse da foto acima, por exemplo, tem uma rua principal maior, povo circulando, mas mesmo assim com uma atmosfera total de cidade do interior/medieval/inglesa/bucólica/mega antiga.



Uma curiosidade sobre como esse passeio foi viabilizado
Durante o intercâmbio em Londres tive duas amigas muito especiais que me acompanharam por boa parte do tempo: a Kumi, japonesa e a Vicky, Sul Coreana. A Kumi quando foi para Londres recebeu o contato de uma amiga também japonesa com o telefone de uma outra amiga japonesa que já morava na Inglaterra há muitos anos. Mais ou menos assim, eu digo para uma amiga que vou ficar um tempo fora em um país estudando e ela me diz, ah então quando estiver lá liga para essa amiga da minha mãe que já mora lá há muito tempo, sem você sequer saber de quem se trata. Mais ou menos assim. Isso em 2013, a Kumi não era e continua não sendo adepta das redes sociais, então foi bem “old fashion” mesmo.
A Kumi, como boa japonesa, ligou para essa pessoa, que por sua vez a convidou para um passeio pelo interior da Inglaterra com seu marido, um legítimo inglês. Ambos próximos dos 60 anos. Essa amiga dela ainda teve a gentileza de dizer tem mais lugares no carro, convide suas amigas. A Kumi, então convidou a mim e Vicky para o passeio. Eu com toda a minha desconfiança gaúcha, perguntei várias vezes: Kumi tem certeza de que isso vai dar certo, afinal ela mal te conhece. Claro que vai, não se preoucupe. Lá fomos nós para o encontro. Eu não preciso dizer que foi uma surpresa das mais agradáveis que tive em minha experiência inglesa, fomos tão bem acolhidas por aquele casal, que não sabia nem de que parte do mundo nós éramos.
O marido dessa nossa guia desceu no começo do tour e pegou sua bike para passar o dia inteiro pedalando pelos vilarejos que nós conhecemos de carro. Encontramos ele na última parada onde tomamos um chá todos juntos e eles nos deixaram na estação para retornarmos a Londres. Foi incrível saber um pouco mais sobre eles, de suas histórias e o que já fizeram na vida.

Essa é uma das situações que fizeram a experiência valer cada centavo investido, a melhor parte de tudo conhecer essas pessoas, compartilhar momentos com elas, outras culturas, diferentes formas de ver o mundo. Foi incrível e cada vez que rememoro esses fatos fico imensamente feliz e grata por ter tido essa oportunidade.