ela-lua

será que eu sou a pessoa errada no momento certo?

me dói demais ler textos de terceiros sobre términos porque algo dentro de mim concretiza ainda mais a certeza de que em não muito tempo serei eu os escrevendo. uma moça que foi assaltada e teve que pedir ajuda pro ex escreveu sobre como, talvez, ela tenha errado por não saber amar. ela descreveu o relacionamento ali e, céus, eu pude sentir tamanha falta de reciprocidade. doeu em mim. eu não consigo visitar tristezas alheias e não me cortar nem que seja um pouco com a lâmina afiada das tragédias. depois, pensei se, caso eu descrevesse o nosso relacionamento, alguém seria capaz de ver a falta de reciprocidade de longe também. se eu contasse sobre como você me responde curta e grossa ou sobre como fica irritada comigo antes de entender porque sumi, alguém perceberia? se eu falasse sobre você fugindo de mim quando está irritada e a maneira como larga minha mão rapidamente quando acha que estamos perto de algum parente meu, alguém sentiria? e se eu dissesse que você ainda sente falta da ex mesmo estando comigo, alguém choraria por mim? 
outra moça escreveu pedindo uma dança. uma última dança. “mas ela acompanha teus sorrisos como eu? você sorri enquanto fala. eu sempre acompanhei”, ela escreveu. eu me identifiquei de tal forma que senti meu coração bater mais forte. você sorri enquanto fala. eu acompanho todos os sorrisos porque seus dentes retos e amarelados são os compositores da melodia-sorriso mais bela que eu já tive o prazer de conhecer. ela acompanhava teus sorriso assim? ela desenhava círculos na palma da tua mão como eu faço? ela te abraçava e ouvia teus batimentos cardíacos como quem ouve atentamente o som de dentro de uma concha? ela te trazia a calma de um mar sereno numa noite de domingo como eu te trago? ela te tocava a nuca com mãos extremamente geladas como eu te toco e te causo a r r e p i o s? me diz, as mãos dela eram geladas como as minhas são? 
não me responda. saber disso só acabaria ainda mais comigo porque, enquanto eu me esforço pra que o meu calor-sol esquente o suficiente toda tua imensidão planetária, sinto que tu ainda preferes assistir à fria e pequena luz da lua. não te culpo, ela é realmente bela. e eu? acho que eu sou q u e n t e demais pra você, tão fria.

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