fragmentos da madrugada #15
A primeira vez em que se viram foi num pequeno bistrô,
junto ao Rio Sena na França;
ficaram trocando olhares tímidos um com o outro
por alguns minutos,
que mais pareciam horas.
O mundo parecia está em standby
in slow motion
completamente paralisado
e, ao mesmo tempo, movendo-se tão rapidamente,
que suas cabeças giravam
como se estivessem numa daquelas grandes montanhas-russas
em Ohio.
Estavam sentados cada um numa mesa do lado de fora na calçada
de frente um para o outro;
ainda não entendiam o que estava acontecendo,
só sabiam que sentiam seu interiores ardendo
como Joana d’Arc após ser queimada viva na fogueira
durante a Guerra dos Cem Anos.
Sentiam-se um pouco envergonhados
por estarem olhando-se tão fixamente
mas também parecia ser tão natural
e grotesco,
que sentiam seus corpos movendo-se por dentro
como o desengonçado personagem de Don Quixote
no Man of La Mancha em cartaz na Broadway.
Continuaram a se olhar por um bom tempo,
até que um deles se deu conta de si mesmo
e desviou o olhar.
Permaneceram tomando seu Cappuccino Crème Brûlée em silêncio
entrelaçando os olhares sem que o outro percebesse.
Terminaram seu café,
deram-se as costas
e partiram em direções opostas,
não mais se encontrando outra vez.