How do you say ‘saudade’?


Daehyun Kim

Desde sempre nos falaram que a saudade era uma palavra sem tradução em nenhuma outra língua, mas pra quê querer traduzir algo quando podemos expressá-lo? Parece bobagem isso de estarmos sempre querendo encontrar o porquê das coisas. Afinal, certas coisas apenas são, e devemos aceitá-las desta forma. Cada língua possui suas peculiaridades linguísticas, bem como seus regionalismos, e é isso o que a torna patrimônio imaterial de sua cultura.

Por certo, já é por demasiado difícil tê-la que definir quanto mais traduzi-la. Nem mesmo seria preciso. Podemos senti-la, e isto deveria nos bastar. A saudade é como o amor: inexpressível em palavras, sentido por aqueles que se permitem inebriar-se na sua plenitude. E, claro, estes sentimentos caminham de mãos dadas.

Muitos já tentaram conceituá-lo (e continuam tentando!), mas não se pode explicar por que seu corpo esfria por dentro, sempre que aquela pessoa pela qual estamos apaixonados aproximasse de nós. Sabemos que nem sempre tão-somente a paixão nos faz sentir as famosas borboletas no estômago; às vezes, uma leve atração é capaz de nos causar o mesmo efeito. E assim é a saudade, embora haja diversas formas de senti-la. Sentimos saudade dos tempos de criança, de algum ente querido que já partiu, de uma professora querida que tivemos, dos amigos que já não temos nenhum contato; sentimos saudade de uma viagem e dos eventos felizes, que ocorreram em nossas vidas e que talvez não se repetirão, enfim, sentimos saudade das coisas boas — e das ruins.

Sim, é possível sentirmos saudade de coisas tóxicas, que nos fizeram mal, também; por mais paradoxal que seja. Cada pessoa que passa por nossas vidas têm a capacidade de nos ensinar algo. Muitas nos decepcionam, mas dessa forma aprendemos que, às vezes, o melhor é guardar nossos sentimentos para nós mesmos, por mais doloroso que algumas vezes isto possa parecer. Algumas pessoas, simplesmente, não se importam, mas não é por isso que devemos perder a capacidade de nos maravilhar com as pessoas novamente, de nos jogarmos dentro delas, sem o medo de cair na escuridão.

Atrelado à saudade existe uma infinidade de outros sentimentos. Sentimentos estes, repletos de significados. Muitos deles tristes e nostálgicos, que nos fazem sofrer um pouco — ou muito — quando quer que lembramos dos tempos passados. Mas, como tudo de pesaroso em nossas vidas, eles, eventualmente, passarão. O que não podemos, é deixar de acreditar que apesar de todas as coisas más, que um ser humano é capaz de fazer a outro, dentro dele existe uma criança assustada prestes a chorar, esperando para ser abraçada. Parafraseando Anne Frank, ‘in spite of everything I still believe that people are really good at heart’. Assim como ela, devemos acreditar na bondade das pessoas, mesmo que às vezes isso pareça tão difícil.

Sendo assim, a saudade não é apenas aquela lembrança feliz, que aperta o peito e que nos consome a alma sempre que o vento a sopra de volta em nossas mentes mas também aquela doce e branda alegria, que um dia nos fez tão felizes. Saudade, portanto, significa a ânsia de se ter novamente aquilo que a vida nos levou, e que já não teremos mais uma vez.

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