É difícil dançar com um demônio no seu ombro

Eu tenho passado por tempos difíceis. Meus demônios ficam nos meus ombros por tempo demais, e eles cansam minhas costas. Tenho tido problemas para dormir, e o café nunca é o suficiente para meu cansaço, apesar do meu estômago dizer o contrário, pois as dores quando eu acabo tomando a água suja e amarga acabam me matando mais que deveria. Não que minha dor interna seja pior que isto. A dor pelo café é suportável; doer por dentro é pior, bem pior.

Acho que o medo de perder alguém que amamos é maior que qualquer outra coisa, e creio que seja desse medo (e das minhas lágrimas) que meus demônios se aproveitam. Deve ser disso que eles se alimentam, já que eu parei de fumar (todos os dias, pelo menos, eu parei). Devem se aproveitar das vezes em que eu estou sozinha e em pânico também, sem motivo algum. Talvez provoquem esse medo estranho e esse pânico que me consome algumas vezes. É, deve ser isso.

Eles ficam no meu ombro, esperando um momento certo de atacar e me fazer mal. Esperando o momento certo, o momento mais oportuno para me ajudar a fazer mais mal a mim mesma. Se fossem em outros tempos, eles ririam de mim enquanto o sangue escorre da pele, mas essa fase passou, e eles tiveram que procurar outro hobbie para me importunar ainda mais.

O engraçado é que, quando estou junto com a pessoa que amo, eles ficam quietos; se acalmam de tal forma que não consigo sentir mais o peso deles em minhas costas, não sinto a presença fria e estranha, o ar pesado e sujo que eles deixam. É como estivessem fazendo par com os demônios dele. E é como se ele se sentisse mais leve, assim como eu.

Eu consigo esquecer, e consigo ficar bem, por algumas horas no dia, pelo menos. Fico mais leve, minhas baterias se enchem por completo, e eu sinto que não estou sozinha. As vezes que nos vemos, só servem para me lembrar o quanto é importante ter alguém para segurar a minha mão. Claro que eu conseguiria sozinha, mas ter alguém para apoiar e ouvir, é muito melhor que qualquer outra coisa boa que possa haver no mundo. Isso eu posso garantir…

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