Faça-me parar
Quando recobro a consciência, sei que não posso parar com aquilo. Mas não sei exatamente de como foi que eu cheguei ali. A forte dor em minha cabeça sugere que algo ruim aconteceu, algo que agora não tem mais volta.
Minhas mãos envolvem o pescoço do garoto enquanto eu fodo com força, suas pernas envolvendo minha cintura e nosso corpos entrelaçados, unidos intimamente e os olhos curiosos dele vagando sobre a cena. Estou ofegando, mas desta vez eu sei que não é por prazer.
É desespero.
Eu não quero mais fazer isso, e lentamente começo a relembrar do que foi que me trouxe até aqui.
“Estive te observando quase a noite toda. Aceita uma bebida?”, disse o cara barbudo e grisalho, já me oferecendo o copo de alguma mistura azul bebê. “Não tô dando em cima de você, só quero conversar.”
Quantos copos eu bebi e como foi que eu vim parar aqui? Ainda posso sentir o gosto doce da droga misturada com o álcool em minha língua. E eu continuo envolvendo o pescoço do garoto que está na minha frente. Seus lábios vermelhos e os olhos arregalados e imóveis me fazem temer em continuar aquilo.
“Isso, continua, garotão…”
A voz metálica do cara grisalho soa ao meu lado, e ele continua imóvel na poltrona ao lado da cama, assistindo tudo com um sorriso prazeroso em sua face e uma das mãos massageando o volume em sua calça. Ele só a tira de lá uma vez para levantar o óculos.
“Não para, está quase lá.”
Eu não quero continuar, mas meu corpo não responde aos meus comandos. Meus dedos pressionam com ainda mais força em volta do seu pescoço, e meu corpo continua montado nele com brutalidade, oscilando com rapidez para a frente e para trás até que eu não consigo mais segurar.
O gemido desesperado sai quase como um alívio quando eu gozo dentro do corpo desconhecido e sem vida, e meus dedos finalmente me obedecem e soltam seu pescoço. Caio ofegante para o lado, a visão ficando embaçada, sentindo como se mil cavalos estivessem correndo em meu peito.
“Bom garoto.”
Ele diz diante de mim na cama, dando um tapinha em meu ombro enquanto solta um maço gordo de cem reais diante de mim e some. Ouço a porta do quarto bater.
E apago logo em seguida.
Quando acordo pelado na manhã seguinte estou no mesmo quarto da boate. O maço de dinheiro sendo segurado com força em minha mão. E eu estou sozinho. Não há vestígios de nenhum corpo ali, não há vestígios de que qualquer coisa tenha acontecido fora do normal. A dor de cabeça continua forte, e só consigo lembrar de borrões da última noite. O cara grisalho me dando ordens, e os olhos vítreos focados no nada. Por mais sozinho que eu me sinta nesse momento, me sinto assombrado pela possibilidade do que possa ter acontecido.
Sinto que eu possa ter ido um pouco longe demais.