O proibido excita

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O som de careiras arrastando pelo piso de concreto e os burburinhos que se propagam pela sala indicam o fim da aula. Os grupinhos de estudantes se dirigem para a saída da sala de aula enquanto permaneço em minha cadeira, terminando de salvar a chamada online enquanto sou surpreendido por apenas um aluno restante no ambiente.

Sentado exatamente na primeira carteira, bem de frente para mim, era o melhor da turma, o mais participativo e que mais me dava atenção durante as explicações. Ele realmente se entregava ao assunto, às discussões e em manter contato comigo fora da classe.

“Como está sua mulher, professor?”

Ele lança a pergunta se inclinando para a frente na sua carteira, a voz rouca e doce do garoto tomando o ambiente já vazio, exceto por nós dois.

“Já está melhor, voltando a se acostumar com o estresse em dar aula.”

“E você anda muito estressado? Nossa turma não é muito fácil de lidar, né?”

“Já me acostumei com vocês”, respondo com um sorriso tênue, levantando o olhar em sua direção pela primeira vez. “Fomos viajar esse final de semana, deu pra relaxar.” Faço um movimento rápido com a cabeça, chamando-o.

No mesmo momento, ele se levanta, e caminha em minha direção. Abro as fotografias salvas em uma pasta do meu computador, revelando as fotografias da viagem. A maioria minhas com ela tomando sol, nosso filho de cinco anos surfando, nossas brincadeiras na água e um passeio rápidos até o mirante, com uma bela vista do por do sol. Ele fica inclinado ao meu lado, posso sentir sua respiração tão próxima conforme vou mudando as fotos.

“Tá bem conservado pra sua idade, hein” ele dispara num risinho.

“Ei, tenho só trinta.”

“Mas olha só esse corpo, tá melhor que muito guri da minha idade.”

Tento rir, levando aquilo como um elogio.

“Pessoalmente não é tão bonito assim”, por que eu não consigo calar a minha boca quando alguém elogia? Fecho a pasta de fotos, preparando para desligar o notebook.

“Duvido, precisaria ver para confirmar”, ele continua, me arrancando uma risada.

Eu deveria parar, mas algo em mim estava gostando do rumo que a conversa estava tomando. Me recosto sobre a cadeira, e levanto a camisa, mostrando para ele meu peitoral definido, já revelado nas fotografias. Vejo que ele tenta disfarçar a surpresa, e logo abaixo a malha.

“Viu só, tá gostosão.”

“Defina ‘gostosão’, muita gente diz o contrário.”

“Ah, sei lá. Tá bonito.”

“E se eu fosse barrigudo?”

“Professor, para. A gente só vai estudar o belo no final do ano”, numa evasiva, ele ri, mas logo em seguida continua a dar corda. “Tu é divertido, todo mundo gosta de você, suas aulas não são chatas… E sei lá, eu gosto de você, seu corpo é bonito, seu carisma e inteligência te tornam gostosão”, ele esta novamente próximo de mim, sua voz rouca quase sendo sussurrada, e meu coração começando a disparar.

Eu era casado há cinco anos e tinha um filho da mesma idade. Não era planejado, mas foi uma desculpa suficiente para justificar o primeiro fato. Não havia reciprocidade no relacionamento, mas de certa forma havia amor. Ou tudo aquilo havia se tornado apenas uma rotina a qual me adaptara. Ela era professora de história, eu filosofia. Tínhamos uma diferença significativa de idade, ela ainda estava no colegial quando começamos a nos envolver, eu já estava estagiando na escola.

Ele era meu melhor aluno e eu tinha quase o dobro da sua idade. Estava terminando o colegial e ainda assim era super inteligente para sua idade. Tinha interesse por coisas diferentes e que não eram julgadas como maneiras pelo pessoal que ele andava, e isso havia nos aproximado. Ele era meu melhor aluno e eu sabia que sentia algo a mais por ele, mesmo isso sendo imoral diante das minhas circunstâncias, e proibido diante da minha posição.

Mas o proibido excita.

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