Carne viva

Acorda, coloca os braços por baixo dos ouvidos. Ouve o piscar dos cílios.

Levanta, dá passos rápidos, seus pés absorvem o chão. Os dedos querem esparramar por mais tempo.

O vento bate e refresca a carne viva.

O movimento alivia, a pele quer se regenerar.

Os toques, estridentes, reverberam no vermelho mais profundo do corpo, onde não sangra, onde é tudo estável e cru.

Qualquer aperto dói, impede de respirar seu manto humano que cresce mais uma vez.

Seu peito contrai, a alma toca seus olhos com as mãos, e os lembra que podem regar o pranto.

Mas eles não respondem sempre ao contato. Por outro lado piscam memórias, dançam na mente, revisitam partes.

E quando os olhos voltam ao presente, a lua cresce, planetas brilham, novas palavras se derramam, vê outras carnes vivas, algumas regeneradas, outras sangram.

Se sente humana. E então, chora.

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