Estrelas Além do Tempo e a urgência do debate sem meias verdades
Jennifer Ferreira
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Olá, Jennifer! Gostei bastante do texto e aproveito pra fazer uma pergunta: tu chegou a assistir o documentário “Eu não sou seu negro” que também concorreu ao Oscar esse ano? Então, lá o James Baldwin (um escritor negro absurdamente importante pra luta norte-americana) menciona como os filmes hollywoodianos tratam o racismo sempre querendo nos mostrar que os negros e os brancos estão em paz apesar de tudo. Um elemento que faz o espectador assistir o filme e não se sentir culpado ou mal com seu final porque, afinal de contas, tinha um bom branco fazendo o básico ali e que foi agradecido por seu trabalho: a tendência da branquitude é de se identificar com ESSE branco exceção e não com todo o resto. Esse é um elemento que encontramos na grande maioria dos filmes do tipo: o branco bonzinho (que na vida real nunca existiu mas aparece na obra de ficção pra aliviar a culpa e tirar a tensão do espectador) e o reforço do liberalismo e da idéia do “bom negro”, afinal, o negro aceitável dentro dessa sociedade capitalista é exatamente o que não se vitimiza nem arruma confusão pois ele sabe que seu mérito e suas capacidades individuais poderão ultrapassar toda e qualquer barreira nessa sociedade “tão amorosa” que é os EUA.
Seus apontamentos foram perfeitos e exatamente os mesmos que eu faria para esse filme.
Assista mesmo o Eu não sou seu negro, certeza que você irá gostar.
^^

Beijão!

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