Não fui feita para namoros?
E quando você começa a conhecer alguém no bate-papo, que você sabe que a pessoa está solteira no mundo. Começa a pensar“POXA, QUE PESSOA INTERESSANTE”, começa a cogitar os porquês dessa pessoa gente boa estar assim. Como o interesse é grande, sempre rola aquelas perguntas básicas. Qual o seu último relacionamento? Por que acabou? Seu namoro mais longo durou quanto tempo? Quantos anos? Sua altura? oi, tudo bem?
Confesso que quando percebia que alguém havia tido esse interesse por mim via bate-papo, aquele “mundareu” de perguntas dava nó na cabeça, similar aquela calça jeans que esprememos com força e com vontade para colocar no varal.

Eu me sentia um E.T ao responder, talvez pelo fato de que fazia um tempo bem significativo laços sérios de namoro. E a pessoa do outro lado já mencionava sua separação do casamento ou do ato de morar junto que se acabou.
Ao mesmo tempo que sentia o peso das palavras, ao mencionar que nunca fui casada, que meu último relacionamento faz mais e 3 anos, pareceria que pessoa interpretava uma estigma de solidão e infelicidade, por saber que essa vivências ainda não havia pontuado. Deverás, não toda vez, mas realmente rosticidade1 de espanto com curiosa machuca e me fazia refletir: Será que não fui feita para namoros?
Na minha loucura, certa vez lendo um texto vi o dados do IBGE (2015), onde relatava que a população feminina é de 51%, sendo que apenas Amazonas, Roraima, Rondônia e Pará existem mais homens do que mulheres. Gente!!! que aflição, morei nos dois primeiros estados e pude perceber na prática que quantidade não é qualidade. Ficava fazendo bagunça interna quanto vi os dados, ¨E para besta, nada de namorado. Tendo, tanto homem no mundo¨. Depois colocava uma alta carga de sabotamento na beleza externa e por aí, piorava. Tudo isso para iniciar minha viagem sobre esse questionamento de estado civil.
No fim, cheguei ao pensamento de que durante esse tempo de solteira nunca estive tão bem. Não, esse não é texto de bandeira “solteira sim, sozinha nunca”, todavia sobre escolhas, pude perceber o quanto me precipitei em várias relações olhando para trás, ademais o quanto a carência pode afetar seu psicológico e lhe ludibriar a ver canário branco, onde na verdade é um pombo de praça. Com o tempo você, — e há, como ele faz bem -, percebemos que não precisa ser aquele ser alto, estudioso, ou que domine algo que você não conheça. Esses eram meus critérios. Na verdade, por fim delas você precisa/busca somente por uma parceria, companheirismo e isso é tão raro na época de egos tão inflamados. Não estou falando dos oposto que se atraem e devem se respeitar, mas sim dos dispostos a fazerem dar certo. O simbolismo do respeito, do ato de dar força para seus sonhos, criar expectativas juntos por melhoria.
Na prática a solterice te faz enxergar os seus erros, as coisas efêmeras que tomam conta da carência e do instintivo, você conhece sua vulnerabilidade, expõe com mais franqueza sua realidade, sua confusão interna, seus planos e intensifica sua capacidade de superar e de se amar.
Com o tempo aquela pergunta que ficou na cabeça, aquele pensando que sobrepôs pós perguntinhas clichês que sempre te fazem, ganha a simbologia do peso de porta. Tem seu valor, mas pode ser trocado sem danos pelo ato de fechar a porta. Não é você que não foi feita para aquilo, talvez esse tempo seja necessário para de fato, você aprender o significado das pessoas na sua vida, no valor do abrir mão e perceber que por vezes o errado não é outro, mas sim você que perde tempo demais escolhendo, sem perceber que para pensar é preciso viver.
E quando você superar todos medos e receios, vê que foi feita para tudo, todo, partes, namoros, solterices e afins.
1Rosticidade: do sujeito da enunciação que vai articular signo e significado. Tava lendo o Livro do Deleuze e Guattari (Mil Platôs), e esse conceito não saiu da cabeça. Nota: Não somente a linguagem é sempre acompanhada por traços de rosticiade, como o rosto cristaliza o conjunto de redundância, emite e recebe, libera e recaptura os signos significantes (…) E do rosto que a voz sai; por isso mesmo, qualquer que seja a importância fundamental de um máquina de escrita na burocracia imperial, que o escrito mantém um carácter oral, não livresco (p.68)
