A menina dos cabelos negros

Eu estava deitada, jogando com o meu celular. Apenas matando o tempo para tentar pegar no sono. Meus olhos foram se fechando, cada vez mais pesados. A tela do celular desligou, deixando o quarto mergulhado na escuridão. Me entreguei ao cansaço, que finalmente tinha me arrebatado, e deixei meus olhos se fecharem de vez.

De repente sinto um peso em minhas costas (estava deitada de bruços). Abro os olhos em desespero, mas não consigo me mexer. Respirar é igualmente difícil. Analiso a parte do quarto onde meus olhos alcançam, uma espécie de neblina havia tomado o lugar. O peso nas minhas costas começa a se mexer lentamente, como se dissesse “o seu desespero não vai fazer acabar mais rápido”.

Uma mão cinza, igual à de um cadáver em decomposição, começa a subir pelo lado do meu corpo em direção ao meu rosto. Mais uma vez tento me mexer, novamente sem sucesso. Meu coração começa a bater acelerado, a respiração, que antes estava dificultada, agora esta escassa. Como último recurso, tento gritar, mas nem um som é emitido, como se minhas cordas vocais tivessem sido colocadas no mudo. O desespero aumenta e vira frustração.

A mão chega de fronte ao meu rosto, seguida por uma face coberta de cabelos negros, tão finos que pareciam ter morrido antes do resto do corpo. O medo finalmente me toma por completo, sinto algumas lágrimas escorrerem pelo meu rosto e tudo o que penso é “eu vou morrer. Não sei o que está acontecendo, mas sei que vou morrer”.

Quando a face de cabelos negros fica na frente dos meus olhos, tento me defender uma última vez, mas novamente sem sucesso. Sinto sua respiração, mesmo sabendo que é impossível algo morto respirar. Mais forte ainda é a sua presença, que começa a tomar conta de mim, como se sugasse a minha energia.

Estou prestes a me entregar, quando sinto meu corpo começar a voltar à vida. A neblina começa a se dissipar do quarto. Consigo dar um suspiro profundo para em seguida recuperar minha respiração. A menina dos cabelos negros olha em volta surpresa, depois se vira pra mim e sussurra olhando nos meus olhos “eu voltarei pra você”. Acordo com o meu corpo se mexendo novamente, mas meu coração continua acelerado, junto com a minha respiração. E eu ainda sinto a sua presença, como se ela realmente tivesse estado ali, como se aquilo tudo tivesse sido real e não apenas um pesadelo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.