Reflexão sobre o Ensino de Línguas e a ascensão das TICs — LA715 C

A evolução das tecnologias sempre causou impacto nas relações sociais. Desde o surgimento da escrita, passando pela industrialização até a globalização da informação, que ocorre nos dias de hoje. Todos esses acontecimentos provocaram algum tipo de mudança na comunicação entre as pessoas, o que faz com que as interações sociais evoluam juntamente com as tecnologias.

Mas quando falamos de educação, temos um sistema estagnado, parado no tempo. As tecnologias que encontramos na maioria das salas de aula da atualidade são as mesmas que surgiram junto com o conceito de escola que conhecemos. Ou seja, não houve uma evolução conjunta do sistema de educação com as tecnologias que nos rodeiam. Para não haver injustiças, deixo claro que isso não se aplica a todas as escolas, mas sim à maioria delas, e mesmo havendo algumas que inovam em seus métodos de ensino, esses, muitas vezes, não fazem bom proveito das possibilidades que as TICs podem oferecer.

Adaptar o sistema de ensino às tecnologias dominantes é uma necessidade. É mais do que ter um diferencial para a escola, é dar aos alunos o direito de usar ferramentas que vão expandir suas possibilidades de aprendizado. Acima de tudo, é admitir que o atual modo de ensino-aprendizagem é limitado e ultrapassado. Não que haja problemas em usar livros impressos, muito menos em dar aulas orais e expositivas. O problema consiste em deixar todo o resto de fora, em colocar a sala de aula em uma redoma, como se fosse necessário “proteger” a aula da internet e seus males.

A primeira coisa a se aceitar é que as tecnologias, e principalmente a internet, não são o que há de pior nas últimas gerações, assim como também não são a solução para todos os problemas. Há um misto equilibrado de coisas boas e ruins, pelo menos no que diz respeito à superfície da internet. Por tanto, a questão não está em usar ou não usar as TICs dentro, e fora, da sala de aula, a questão consiste em como esse uso vai ser efetivado.

Dessa forma, é preciso que os educadores estejam preparados para lidar com tais tecnologias, não que seja necessário saber como determinado aplicativo funciona internamente, o importante é ter domínio sobre ele como uma ferramenta de ensino. Da mesma forma, lidar com as diferenças em sala é papel do professor, é preciso diagnosticar os níveis de letramento digital de cada aluno, para então saber a melhor maneira de explorar as TICs nas aulas. O que, na realidade, não é diferente do que já se espera que seja feito, mas em relação aos níveis de alfabetismo e letramentos escolares.

Suzy C. Rocha

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