O bloqueador do vazio

Isso não é algo novo. Relendo minhas notas na minha conta antiga do facebook, percebi que meus sentimentos são os mesmos. É só um trecho.

… Calam-te. É isso o que parece acontecer. Mãos invisíveis, enormes e monstruosas, tapando seus olhos, ouvidos, boca, e por fim, seu cérebro, sua mente tão falante. Você não pode nem chorar. “Que ódio” ela pensa. Do que serviriam seus sentimentos, suas idéias se não conseguiam ser expressados, afinal? Nada lhe vem. E seu mergulho no mar do vazio acontece. Ela odeia aquele lugar. Desesperadamente, ela o odeia com todas as suas forças. Todos à sua volta parecem ter algo para contar, expressar, encantar, reclamar, encher o saco … menos ela. Ela só está ali, parada tentando, e nada lhe vem. E o mar do vazio sufoca, aperta, afoga, se você não souber como nadar nele. Se você não souber como explorar ele. “O vazio é relativo”, ela pensa. E naquele misto sofredor de raiva e frustração, durante aquela curta mas aparentemente infinita aventura pelo nada, algo lhe vem, por fim. “Essa é a cura”. Escreva sobre essa bosta de nada, sobre esse “nada lhe vem”, sobre o mar do vazio e sobre o misto sofredor de raiva e frustração. Decida não desprezar suas sensações. Não existe o feio se você torná-lo belo. Escreva.”

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