Sobre aqueles amores que ficam.

Nem todos nós conseguimos nos desintoxicar daquele amor, né? Digo, um dia a gente acorda, procura aquela mensagem e nada. Aquilo fica na nossa cabeça durante o dia, cada vibração é uma possibilidade, mesmo você, nós dois sabendo que não há. No fim, amor vai ser sempre sobre ter fé, sabe?! Fé naqueles pequenos gestos e como eles mudam nosso dia; fé que um dia vai voltar; fé que ninguém vai embora; fé que não vai doer, mas vai.
Faz até bastante tempo que você se foi, e incrivelmente, durante um tempo eu realmente não senti sua falta, ou acreditei não sentir. Acho que nós temos aquilo, sabe? De falar pro mundo o que nós queremos acreditar, e no fim, acreditamos. Mas o universo de vez em quando gosta de brincar de Deus e prega umas peças na gente, como aquele dia que te vi pelo vidro do ônibus e aquilo tocou no abismo mais fundo onde eu havia te escondido e me fez perceber que alguns amores nunca vão embora, mesmo que em determinado momento eles não fiquem.
Mas a vida segue, sabe? Não é nenhum sinal de fraqueza admitir que não superou, que ainda toma aquele gole de café e sente saudade, que as vezes chora de saudade ou quando lembra daquele pôr-do-sol que viram juntos e fica se perguntando como teria sido diferente se não tivesse feito o que fez. No fim, o amor é aquele gosto de café que fica na boca depois de um bom gole. A magia disso é que nem sempre o café tem o mesmo gosto. Então eu sigo buscando alguma coisa que se pareça com seu gosto na vitrine das lojas e nas caixas de cereais, nos rótulos de cerveja e nas músicas da rádio. Quem sabe um dia eu te encontro lendo o jornal e tomando aquele café, que tem um pouco de nós dois a cada gole e um tanto de saudade em cada prosa.
