Hoje acordei impossível. Intolerável, intragável, insuportável. É sério.
Eu acredito na plenitude. De verdade. A paz de espírito, a serenidade, tenho certeza que ela existe. Mas eu sou falha, sou a obra inacabada do meu Pai e isso me dá o direito de dizer que hoje eu te odeio. Não sei quem você é mas eu não gosto de você. Sem motivo algum. É algo horrível de se dizer, eu sei, mas eu é que não vou negligenciar meus sentimentos.
Eu estou fazendo com você o que faço com Deus, ficando emocionalmente nua diante de você. Cansa demais ser impostora, meu coração é bonito do jeito que ele é, quer você goste ou não. E tudo bem se não gostar, a não ser que você consiga tratar minha estupidez com amor. Minha rabugice com amor. Minha ingratidão com amor. Eu sei que você não consegue, só Ele consegue.
Eu e você vivemos num corpo de carne. Demorei um tempo pra falar isso em voz alta, primeiro porque sei que soa ridículo, segundo porque brinquei de fazer-de-conta-que-não por um bom tempo. Eu não conheço as suas histórias, mas conheço sua natureza carnal, então podemos ser francos quanto a quantidade de coisas ruins que precisamos travar guerra todos os dias. Posso dizer pra você que sempre que meu velho homem vem à tona, me quebra. Mas hoje não. Hoje eu assumo a postura de criatura em construção.
Eu não quero ser pra você alguém sem pensamentos inoportunos, questões mal resolvidas, raiva sem explicação. Sem manias terrenas, sem julgamento, egoísmo e falta de empatia. Também não quero que você me veja como Deus me vê. Eu só quero mesmo que você saiba que não estou fingindo. Não mais. Esse é meu compromisso, ser honesta até na ausência de luz dentro de mim.
Fica sabendo que depois que eu publicar isso aqui, vou orar. E depois de orar, provavelmente vou te amar de novo. Vou gostar de você. É isso que eu faço todas as vezes que duvido da minha identidade, quando nem eu mesma aguento aquilo que sou. Ele aguenta e me devolve a identidade que vem do céu. E aí é mais um dia pra tentar outra vez.
