Cá confuso

Se tem uma coisa que me atordoa num grau máximo é ver o povo brasileiro reproduzir racismo, mas não estou aqui pra falar disso. Tava assistindo o programa “Bipolar Show” no Canal Brasil apresentado pelo talentosíssimo Michel Melamed, tinha o gênio Paulo Tiefenthaler de convidado, assistam, por favor! Daí que num momento rolou uma roda de capoeira improvisada com a platéia, todo mundo lá batendo palmas no ritmo, sem instrumentos, sem executar os movimentos básicos, apenas gingando. Desse momento começo a refletir sobre uma questão profunda, capoeira é um negócio contagiante, se você não sabe jogar, você sabe gingar, se não sabe gingar sabe cantarolar, se não conhece os “pontos” sabe bater palmas, se não tem mãos pode bater os pés, se também não tem os pés você tem um coração que bombeia o sangue africano que te aquece. Somos filhos de uma miscigenação forçada, forgada nos cantos do mato, com muito sangue e leite derramado, somos pretos, índios, portugueses, italianos, holandeses, alemães, somos tantos que o simples dizer que somos é um paradoxo. Mutáveis, únicos, diversos, quase sem cultura, porém cheios dela. Me dói ver meu povo cometer racismos, sinto que não sou povo, sinto-me sozinho numa ciranda de roda, tombado num golpe rasteiro, caido na poeira descalço.