Beyoncé no Grammy: outra forma de protesto!

Apresentação Grammy 2017

Vamos falar sobre a apresentação da Beyoncé no Grammy?
Não importa quantos ela levou, essa mulher sabe usar referências como poucos artistas.

Às vezes é difícil de entender (e há quem olhe com desdém pra semiótica), ainda mais que ela está a cada dia usando mais referências da cultura afro e infelizmente não é nossa especialidade, né?
Mas essa apresentação fala muito mais do que podemos ver… É principalmente sobre Oxum, orixá do amor, da fertilidade, da beleza. Reparem no uso das cores, do ouro, das flores, da própria gravidez…
Mas as referências são religiosamente “universais” e não só afro. Não é à toa que teve uma santa ceia totalmente feminina (alô feminismo!) e os adornos da cabeça lembrando as santas católicas (sincretismo!). Talvez até algumas coisas podem remeter Ísis, a deusa egípcia. E de forma geral ela fala sobre a mãe, que acredito que não seja só a Tina, mas a mãe maior “a deusa”. Aliás todas as possíveis deusas existentes, em todas as crenças.

Sabe o discurso sobre diversidade e feminismo? A tal militância? Ela está nesses detalhes… várias religiões sendo representadas ao mesmo tempo e a afro no protagonismo para que se abram espaço para o respeito e principalmente o conhecimento sobre. Não acho que seja sobre propagação de religião ou arrogância por ter se retratado como deusa/santa, é uma representação artística, ela só foi o instrumento. É uma forma diferente de falar sobre o que acredita socialmente, porque nem sempre é preciso gritar, impor, brigar… arte também educa!

E se reparar, acabou sendo uma extensão do tão falado ensaio de grávida dela, que já estava cheio de referências ótimas e muita gente nem entendeu.
Você pode não acreditar em nada disso ou achar de péssimo gosto, mas pra mim, isso é uma grande aula e mesmo que não ache bonito, a gente deveria aplaudir de pé.