Dia 14 de setembro de 2016

Mais um dia emocional da semana que me deparo com os segundos tão parados como minhas pernas. Dia em que acordo tarde. Olho tudo em volta para dar uma conferida de que está tudo no seu lugar, coloco as mãos no rosto para sentir que estou ali e que tudo está realmente no seu lugar. No seu lugar? Eu disse isso? Pensei isso? Desculpa. Pensar e dizer são tão distintos. Eu acho. O que você acha? E se eu pudesse ouvir cada pessoa do mundo respondendo isso? E se eu tiver o poder de dar tempo? E se eu tivesse o “tempo” nas mãos? O que eu faria se eu pudesse pará-lo? E por que parar? Por que não ter pressa de estar sempre mais a frente? Parece que sempre corro pra me manter presa em um mesmo passo. Ouço o tic tac do relógio como se fosse um alerta. Meu coração dispara toda vez que essa igreja, essa próxima a minha casa, me avisa as horas. Eu sou movida por tempo. Eu tenho tempo para me mover. Eu me busco em cada segundo como se fosse um segundo do qual quero recuperar-me. Se eu pudesse pelo menos escolher quantas vezes esse segundo poderia existir. E se eu tiver esse poder? E se eu não souber usá-lo? Meu relógio tem sido testemunha da minha fraqueza. Meu relógio tem me escutado enquanto faço tic tac. Eu danço com os ponteiros. Eu abraço o espaço entre eles. Eu quero amar cada segundo e “não segundo”. Como eu chamaria o tempo que paro o segundo sem poder contá-lo? Ah! Besteira! Vai ser “não segundo”. Por que segundo? Quem vem primeiro? Eu quero escolher o primeiro momento e vive-lo em primeiro. Cansei de segundos que não são meus. É injustiça viver por obrigação. É egoísta o tempo me colocar em segundo. Em segundos. Como faço para não ficar presa nesse maquinário? Eu não quero mais ser automática. Quero que o meu tempo se mova como eu. E se eu quiser ir para trás, que os ponteiros me alcancem. E se eu parar? E se eu realmente quiser sentar e parar? Que os números do relógio me rodeiem e que façamos uma grande roda de “não segundos”. Eu me atrasei? Que pena! Volto e tento não fazer isso novamente. Mas e se o atraso for necessário? Quer dizer… O que é necessário para mim ou para você? É que quando fecho meus olhos e tento falar comigo, parece que não existe nada que eu não queira dizer. Porque… Quero dizer tudo. E o que é tudo? Como posso medir isso? Qual o início? Será o primeiro número do relógio? Ou o primeiro segundo? Engraçado isso, né? Primeiro segundo…

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