Por que ser empreendedor?

Parte 1 — criatividade, desconstruções e construções pessoais e para o mundo. Texto criado para o Founder Institute e republicado aqui para melhor leitura.

Eu sempre gostei de hackear soluções para as pessoas. Talvez até um tanto rebelde, mas crescí em um campo que foi preparado pelo cultivo de atividades de criação — exercícios que, agora, aparentam ter sido desencadeados a partir de um estímulo [PCM] no jardim de infância. Com o passar dos anos, eu desenvolví o interesse por desconstruir as coisas — um interesse sutilmente revelado nas práticas de quebrar brinquedos. E com um ambiente favorável, uma vez que meus pais não me puniram por aquilo, passei a olhar objetos e a natureza como elementos que pudessem ser transformados. Essa visão cresceu, até com muita ingênuidade, mas proporcionou viagens além desconstrução, revelando caminhos para a construção.

Passei a reconhecer que as as empresas são interfaces que protagonizam inovação. E que elas cultivam ambientes que viabilizam construções e permitem que as pessoas possam alcançar melhores experiências. O meu envolvimento com software impulsionou uma melhor visão sobre a ideia de plataformas que impulsionam desconstrução e construção. Nesta fase, encontrei um ambiente favorável para sonhar, e, mais uma vez, reconhecer que as empresas são agentes protagonistas para a criação e entrega de inovação. Diante dos vários projetos, que os considero como aventuras maravilhosas ou quebradas, eu sempre me vejo na posição de fazer algo; como responsável por ser parte da mudança. Ao contrário de ver o ambiente externo como uma grade influenciadora que define nossos passos. Mesmo quando me mudei para o Vale do Silício, na posição de um programador, eu sempre executei atividades que me colocavam na posição de empreendedor, como por exemplo estabelecendo a ponte com colegas no Brasil e propondo projetos para novas pautas, novas ideias e caminhos. Projetos nasceram e projetos morreram, mas os vejo como caixas que foram desconstruídas e reconstruídas, e que funcionaram diante do ambiente foi favorável: pares, sócios, stakeholders e amizades.

Mas não todas as fases são lindas [TelaSocial v1]. Hoje, me sinto começando do zero, no sentido melhor reconhecer o mindset sobre como criar uma empresa escalável e global. Me vejo diante de novas condições de oportunidade; talvez resultado da renovação pessoal, que nunca parou mas que se modifica com a influência de mentores e dessa ambientação favorável — o ambiente de maior envolvimento e atenção aos processos/mindset. Creio que as transformações pessoais, diante do perfil empreendedor, são fases; assim como as empresas também tem fases para o crescimento: ideia, consumidor, produto, produto-mercado, expansão e novos mercados. Estando cada vez mais envolvido no meio empreendedor, me vejo em uma posição mais responsável e ainda motivado em trazer mudanças positivas para a nossa realidade.

Com relação ao meu papel, eu me vejo em uma posição dinâmica, da pessoa que quer alcançar o objetivo desdobrando mais oportunidades a frente; e busca reconhecer o papel em avançar, mesmo que as vezes a estratégia é não estar. Como qualquer empresa que cresce, o nosso “eu empreendedor” deve também crescer e deixar permitir que inovação possa acontecer.

[PCM] Marcio’s Personal Creativity Machine
https://medium.com/@taboca/my-personal-creativity-machine-pcm-b3892f072376#.ewunri832

TelaSocial e o Chief Platonic Officer

A partir de 2008, eu pude viver o episódio que, agora, chamo de “fase romântica do empreendedor”. Com o Tela Social [1] “lançado”, eu passei a executar, diante dos sinais que agora os chamo de falso-positivos. Passei a acreditar que estava operando um negócio em crescimento mas hoje vejo que posso ter executado uma versão menor da espiral da morte [2]. Foram ciclos de muita energia que não se basearam no mindset ideal e estratégico para uma startup e seu crescimento. Ao contrário de incorporar stakeholders ou ao menos mentores com experiência em startup e crescimento, eu coloquei as minhas múltiplas habilidades em operação total — todas conspirando em criar, de fato, um ecossistema razoavelmente destrutivo, o que agora chamo do papel Chief Platonic Officer. O mais interessante foi ter feito tudo isso com muitos colaboradores, ou seja, com clientes, com muitas pessoas reafirmando o crescimento, com código aberto e mais. Foi um período de atividades que contribuíram em atrasar, olhando pela métrica da realidade para real inovação ou a realidade de processos sólidos que pudessem contribuir para um negócio escalável e sustentável. Foi uma espiral, que passou muito rápido, ma que custou anos na terra das startups.

Ao me analisar sobre as falhas, eu finalmente esbarrei em uma maneira mais leve de olhar a situação. No momento de análise, ou pausa construtiva, eu não olhei para dentro como quem só se preocupa em criar mais pressão. Ao contrário, eu conseguí aceitar que deveria me dar ainda mais tempo, respirar, e olhar para fora. Olhei para aqueles, que agora os chamo de precursores dos stakeholders. Eu encontrei estes precursores na virada de 2014–15, a partir do mundo novo que se fez durante a especialização no Coursera (Maryland Launching an Innovative Business) [3]. Desde então, um novo botão foi acionado e uma luz apareceu.

[1] http://www.telasocial.com

[2] http://steveblank.com/2009/09/07/the-customer-development-manifesto-the-death-spiral-part-3/

[3] https://www.coursera.org/account/accomplishments/specialization/3UJHNRR3Z77T

Paixão pela área

“Taboca Compo.Site”, demonstrando meu interesse por modelos de composição de conteúdo. Nas várias atividades, de articular soluções, busquei sempre auxiliar as pessoas para a construção de interfaces, proporcionando maneiras para contar histórias, com conteúdo mais dinâmico e elegante; onde elas pudessem também se envolver com outras pessoas. Fast-foward mais 20 anos, e a mais recente mutação, o SlideQuest, nasceu da frustração da mutação anterior, o Tela Social. Nessa fase, surgiu uma articulação para uma plataforma de conteúdo nas nuvens com o objetivo gerar teasers animados para TVs de ambiente, a partir de dados da Web. Veja um exemplo dos slides que foram transformados em vídeo de forma automatizada: teaser do restaurante recanto e teaser do Língua Portuguesa em Uso.

Buscando posicionamento

Diante do meu novo modelo de operar, após Launching an Innovative Business (Coursera Certified), passei a revisar minha conduta e prezar pelo objetivo de avançar sem sair implementando em alta velocidade sem validação. Neste modo, busco identificar o produto ideal nesta indústria ou área (veja abaixo sobre minha visão para a área [co-criação de conteúdo]).

Considero opções que se relacionam com a plataforma de autoria de apresentações e que envolvem colaboração e modelos para curadoria e evolução do conteúdo e rede de valor. Por exemplo, neste momento, eu faço pesquisas qualitativas com pessoas que comunicam periodicamente na Web — uma análise sobre uma possível plataforma que dá suporte para os vários estágios de comunicação que emergem diante das reuniões, festas, congressos, eventos, etc; Por exemplo, verificando a possibilidade sobre a plataforma de geração de teasers, flyers, e comunicação direcionada dependendo do destino do meio: Facebook, YouTube, Instagram, etc.

Não me sinto travado em uma posição específica, mas procuro encontrar o ponto de tração, com usuários, e a maneira mais rápida de evoluir o produto na área [co-criação de conteúdo].

Área da co-criação colaborativa

A área de conteúdo mudou muito com os anos. Eu acredito que a situação do conteúdo gerado por usuários já é commodity fazem anos. Podemos ver isso pelos programas da TV que evidenciam as experiências blended. Por exemplo, no Brasil, o Record Link News coloca dois apresentadores, que usam tabletes conectados com usuários, em tempo real. O momento é blended, para a TV, mas momento também mostra o potencial de inovação no campo não blended, da web social. A situação da geração do conteúdo está para revelar um novo portal de oportunidade de geração de conteúdo criativo — que vai além de simples comentários, ou likes e moods de Facebook.

Os pontos abaixo, são só alguns fatores que eu reuní no meio de vários estudos:

  1. Discussões nas redes sociais não escalam porque ficam confinadas em situações polarizantes superficiais. Não é um achismo ou “coisas do Brasil” quando entendemos que a “nossa” web social só traz conversas superficiais. As plataformas também causam influência nisso. Sendo o problema não só brasileiro, já que muitos trabalhos científicos evidenciam isso, nota-se que a interação do usuário leitor, agora menos passivo, está ainda confinada em uma leve interação na camada da polarização entre o estado de concordar ou não concordar (ame ou odeie). Para piorar, nós vivemos um momento único onde publishers cultivam tal situação com chamadas ultra polarizantes, ou seja, impulsionando mais ainda o potencial de sharing e diminuindo as oportunidades de co-criação pelo usuário — que simplesmente está em nível precário, mesmo diante da capacidade da Web em permitir incríveis artefatos de co-criação pelo usuário.
  2. Essa situação é uma evidência de gap pois sabemos que, na “curva normal” da especialização/envolvimento dos usuários, nós temos maior valor de criação nos usuários mais ativos, que são os protagonistas-autores; enquanto que por outro lado, da curva, temos menor valor de co-criação com os leitores-ativos, que praticamente suportam só a reverberação da polarização (like/share). O modelo das comunidades de software livre, por outro lado, evidencia vários papéis de usuários no entre os dois extremos, ou seja, neste gap. Podemos nos perguntar: e se toda e qualquer publicação pudesse revelar usuários com relação ao potencial de colaboração. Só este ponto, isolado, sugere um grande valor de impacto positivo para as pessoas e também com possível impacto no mercado. Adiante, podemos identificar o verdadeiro potencial dos usuários em modificar as histórias que acontecem no dia a dia. Pensando assim, não será que o próprio hábito nosso, e da indústria, não está impulsionando o não-potencial porque é mais simples deixar como estamos? Vamos só pensar sobre o que seria o mundo se uma história pudesse ser feita pelos os usuários, de fato. Será que o problema não é só a falta de meio que quer dar suporte para tal? seja o meio uma rede que permite cuidar ou curar.
  3. Sobre o potencial de transformações, das relações, que estão estagnadas e perdidas na web social da comunicação atual. Não temos nada global e significante que mostra claramente a evolução dos usuários: como eles colaboram e o que estão fazendo com o artefato colaborativo. Em um extremo, nós temos incrível colaboração em projetos abertos, que tem regras, missão, valores, voluntariado e outras características. Mas no outro extremo, da comunicação para as massas, temos ferramentas de networking e colaboração com conteúdo mas que simplesmente desperdiçam um potencial de criação — tudo vai para o lixo, do histórico. Me refiro as comunicações gigantescas nas salas das massas em Slack, Telegram, Whatsapp, Facebook Posts (os que tem comentários), e mais. Em todos estes, os dados gerados por usuários populam o histórico que não está associado com objetivos de construtividade claros. Feliz é quem escava e acha alguma coisa no ruído.

Background

Em 1993, quando eu passei em computação, eu me ví renovado — e muito frustrado com a seara de preparo para a universidade. Eu comecei a simplesmente fazer o que eu queria. Além de programador, eu era modelador e animador de animações 3D. E para piorar as coisas, na visão da universidade, eu encontrei a web. Era a criação do navegador Mosaic [93] e o Netscape [94], que abriram novos portais criativos. Criei sites, ensinei pessoas do mundo, conhecí parceiros, amigos, trabalhei no vale, e mais. Mas uma outra coisa acontecia naquele momento. Consolidava-se meu entendimento, visão e energia, sobre um modelo para criar desenhos, imagens gráficas, histórias e outras coisas. Talvez esse modelo, de composição, não é nada mais que o traço de todos os meus esforços desde criança — do primeiro desenho, das atividades de desconstruir e construir, de criar modelos em 3D, da criação para web, da mixagem da web com 3D, das interfaces e muitas e muitas criações e interface para as pessoas e empresas. Talvez eu estejá só “pivotando”, os sistemas, que foram geradores de site, sistemas de enviar cartões virtuais de e-mail, programas gráficos, sistemas de web e-mail, sistemas de autoria de páginas, serviços de gravar o desktop do usuário, o serviço/empresa Tela Social (http://www.telasocial.com), o serviço/site de Língua Portuguesa (http://www.lpeu.com.br), o recém serviço de slides (SlideQuest), o blend entre o serviço de slide com o site de língua portuguesa (revisão) e agora a startup que nascerá.

[93] https://en.wikipedia.org/wiki/Mosaic_(web_browser)

[94] https://en.wikipedia.org/wiki/Netscape_Navigator

Meu papel

Me vejo no modo de operar que é um blend de (a) agir para fazer dar certo e (b) me permitir estar domado por stakeholders, modelos e processos que incorporam experiência. Acredito estar trazendo, como valor para essa empresa, a própria questão que empreender é arte e experiência, e que a experiência pode ser incorporada com os círculos corretos, dos que erraram e já acertaram na indústria.

Não procuro colocar títulos para meu papel principal, pois diante da evolução da empresa, é importante que possamos evoluir com ela. Porém, eu me vejo capaz de estar presente como uma energia vital para manutenção da rede de valor, e assim buscar desdobrar a eminente inovação na área. Acredito ainda que nossas redes seguras, no sentido de “barco”, devem se estabelecer com colaboração por stakeholders, mentores, e o time de apaixonados com o potencial da área/ideia, e ainda pessoas que compartilham dos princípios básicos onde inovação deve melhorar nossas vidas sem ultrapassar questões básicas de ética e moral.

Anexo 1 Correlação: crowdsourcing, co-criação e redes de valor

Em Blitzscaling 07, Mariam apresenta uma visão sobre o impacto da curadoria, por exemplo no mercado de roupas, diante das pessoas; e o problema onde as marcas tem seus altos e baixos com relação a questão de estar na moda. A hipótese criada por ela, no negócio intitulado Minted, é baseada no empoderamento das pessoas para garantir que a comunidade está evoluindo o sistema de curadoria. Da mesma forma, hoje, nós temos este GAP da curadoria com praticamente qualquer negócio. Negócios que empoderam comunidades para curar tem maiores chances de evoluir.

”If you turn all the decisions over the crowd” e “you can be potentially fresh forever”
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