Bundas e a abertura dos Jogos Olímpicos

Assim foi a minha experiência ao assistir a abertura dos Jogos Olímpicos de ontem…

Minha mãe preparou até pipoca para assistirmos a abertura e, para variar, queimou o fundo da panela, afinal, ela sempre acha que tem algum piruá sobrando e esperando a sua vez para ser estourado, ela nunca aprende… Mas isso não vem ao caso.

Tudo começou com a origem da vida, né? Achei bem coerente começar por onde tudo começou. Legal… Os primeiros seres vivos estavam representados por estruturas dinâmicas! Muito bom para quem gosta de engenhocas. De repente apareceram índios e índias, nessas horas eles são lembrados. Para variar, estavam todos de fio dental, interessante que a câmera sempre enfatiza as bundas dos índios, não sei porquê. Depois, os escravos, é claro. Depois, Japão? Se Galvão Bueno não tivesse me explicado que o dia 5 de agosto é aniversário da bomba de Hiroshima, eu não iria saber, oras… Não sei por que criticam tanto o Galvão Bueno, afinal, temos que respeitar estas pessoas que nunca morrem e, por pirraça, não saem da televisão, mas tentam ser gente boa. Mas isso não vem ao caso.

A cena do 14 bis foi boa, tapa na cara dos americanos, afinal, a frase “O que vem debaixo não me atinge” se aplica muito bem ao Santos Drummond. Depois veio a Gisele Bundchen se não me engano, a nossa Garota de Ipanema. Problema da mulher que não se sentiu representada como mulher brasileira. Eu me senti muito bem representada por uma mulher de quase 1,80m de altura e de pouca bunda. Apenas na altura e na falta de bunda, é claro. Quem não se sentiu representada, puro recalque… Afinal não é qualquer mulher que pode usar um vestido como aquele. Aliás, pode sim, mas não deve. Eu, como mulher, gosto de ver mulheres bonitas, elas são agradáveis aos olhos. Lógico que se fosse para eu escolher, colocaria o Cielo de sunga carregando a tocha olímpica, cena típica de um deus grego. E colocaria o Hulk de índio também. Mas vou parar de sonhar… Não se deve fugir do contexto, a ideia era mostrar as belezas do Brasil, a natureza exuberante do país tropical e isso inclui as mulheres.

Depois, começou a tocar funk e não demorou muito para aparecer a Regina Casé com aquele insistente terninho branco e super apertado. Nessa hora eu pensei: Ela vai transformar esse momento da abertura dos Jogos Olímpicos no programa Esquenta. Infelizmente, não estava enganada. Foi aí que eu me levantei do sofá.

Minha mãe disse:

- Espera aí uai, ainda vai ter o Zeca Pagodinho, a Anitta, a Ludmilla e o Wesley Safadão.

- Mãe… Preciso tomar banho, arrumar as minhas coisas e dormir, pois vou trabalhar amanhã…

Me deu vontade de incrementar a aula de sociologia do trabalho que já havia preparado. A única coisa que posso fazer pelo Brasil atualmente é dar boas aulas pelo menos, dar uma chacoalhada nos meus alunos.

Perdi a bunda da Anitta, mas isso não me impediu de colocar a minha cabeça no travesseiro com a consciência tranquila. Não foi um grande prejuízo, acordei de manhã do mesmo jeito: chatíssima. Perdi a vaia na hora do Temer, perdi a catarse. Eu acho, apenas acho, que vaias são válidas apenas para demonstrar a insatisfação, dão um senso de justiça danado, mas não vão tirar o Temer do poder. Mas quem sabe eu esteja enganada? Mas isso não vem ao caso. Festa é festa e a gente tem que ser filiz.