Minhas Memórias Bucólicas

Andando pela rua Foto: Tácio Fonseca

Quem reside na região metropolitana de Belém certamente tem Mosqueiro como referência para passar as férias, assim como a minha família, que possui uma casa de veraneio na ilha.

Lá pelos anos 90 minha tia comprou uma casinha para que a família pudesse passar as férias perto da praia. Apesar dos meus parentes sempre viajarem para o interior do estado, viram a necessidade de possuir um local fixo onde poderiam ir sempre que quisessem.

Não lembro com muito clareza quando cheguei naquela casinha pela primeira vez, porém devido a alguns vídeos feitos pelo meu tio Aquino, consigo ter uma vaga lembrança de como era a casa assim que minha tia a comprou.

Me recordo da cerca feita de madeira e arame, que denunciava uma kit net simples, constituída apenas de três compartimentos, um quadrado, que seria a sala de estar/dormitório, um banheiro e uma cozinha minúscula. Alguns podem não acreditar, mas em tempos remotos umas 50 pessoas já passaram a noite nela.

O final da rua Foto: Tacio Fonseca

Para compensar a falta de espaço dentro da casa, todos tinham disponível um terreno enorme, que chegava até a outra rua. Lá podíamos correr, brincar, colocar a piscina de plástico, plantar árvores, fazer churrasco e usá-lo de outras mil maneiras.

Fora do terreno também haviam inúmeras possibilidades, pois como quase não haviam muitas casas naquela rua e por morarmos já bem no final dela, tínhamos a possibilidade de ficar sentados na frente de casa, conversando com os moradores fixos do local, brincando na areia sem que ninguém ou nada nos incomodasse. Durante à noite, apenas a luz amarelada do poste nos dava clareza da rua, o que nos animava ainda mais, pois assim conseguíamos avisar o céu e admirar as estrelas e as luas.

Não tem um ano desde a minha infância que eu não tenha ido a mosqueiro.

Este ano, assim como os últimos três finais de ano passados, fui comemorar a virada em mosqueiro e em um dos dias após as comemorações peguei meu sobrinho pelo braço e fui andar com ele por aquela mesma rua lamacenta que andei tanto quando era mais novo. Caminhando por lá, me dei conta o quanto as coisas mudaram desde a minha infância, coisas que certamente meu sobrinho e os que vierem após ele não verão, não sentirão.

Yan mexendo na plantinha “maria fecha-porta”. Foto: Tácio Fonseca

Hoje, há mais casas na rua, o riozinho que corria no final da rua foi soterrado e o que mais é visto por lá é lixo e não brincamos tanto nas ruas devido os carros estacionados. Quase tudo mudou!

Andando pela ruela, mexendo nas plantinhas e sentido o cheio de terra úmida a minha volta, pude relembrar momento áureos da infância, quando tudo era mais simples. É são justamente estas lembranças que gostaria que as crianças da minha família tivessem, quando fosse mais velhos.

Após esse dia, senti a necessidade de escrever sobre as minhas lembranças mais vívidas, sobre as recordações que tenho da infância nesta ilha, nesta casa e nesta rua. Este texto é apenas o início.

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