
Eleições Já
Segundo o portal Congresso em Foco o número de parlamentares que respondem a inquéritos ou ações penais no STF é assustador. No Senado, são 30 dos 81 senadores, incluindo seu presidente Renan Calheiros. Na Câmara, são 146 dos 513 deputados, incluindo seu presidente Eduardo Cunha. Para verificar o nome de cada parlamentar e as acusações a que responde, basta acessar as páginas: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/os-senadores-sob-investigacao-no-supremo/ e http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/lista-dos-deputados-com-pendencias-criminais-no-stf/.
Com a ressalva de que vários deles podem ser inocentados nos seus processos. podemos verificar que o crime está muito bem representado no Congresso. Tantos parlamentares assim com pendências judiciais demonstra que nossas instituições foram tomadas. Afinal, qual é o interesse destes senhores pelo mandato parlamentar? De um lado, ganhar imunidade e franquear seu acesso às burras do Estado e, de outro, instrumentalizar o parlamento para que leis sejam aprovadas para lhes garantir impunidade.
Contribui para esta anomalia a inapetência do STF em julgar políticos com prerrogativa de foro. É quase um salvo conduto para que continuem delinquindo o fato dos processos acumularem poeira na burocracia do Supremo até a prescrição ou serem devolvidos à outras instâncias.
A disfuncionalidade do Congresso Nacional pode ser vista na anacrônica representação de 27 partidos dos 35 que o Brasil tem registrados no TSE. São partidos sem programa ou atuação orgânica integrados por parlamentares que atuam cada vez mais em grupos de interesse pluripartidários, como a Bancada da Bala, que utiliza o tema segurança pública como mote para revogar direitos fundamentais ou a Bancada da Bíblia que quer revogar o Estado laico e submeter a Constituição à doutrina de confissões religiosas ou a Bancada Ruralista, que atua para garantir que nosso sistema fundiário jamais deixe a idade média.
A fragilidade de nossas instituições fica exposta, de maneira indelével, no cenário da crise de representatividade que assalta os poderes Executivo e Legislativo desde as eleições de 2014.
Hoje, vemos este sistema disfuncional mover-se para definir os destinos do país com o processo de impeachment. É certo que o PT perdeu todas as condições morais e políticas de se manter no governo. No entanto, é preciso desconfiar das razões pelas quais poderosas forças se movem no Congresso. O propósito não é limpar a política e promover mudanças estruturais, mas sim entregar o poder ao PMDB partido que, segundo os critérios do Ministério Público é parte da organização criminosa que assaltou o Estado.
Alguém acredita que o partido de Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Henrique Eduardo Alves, Edson Lobão, e tantos outros permitirá que ações da Polícia Federal, Ministério Público e o Judiciário cheguem perto do poder? São profissionais e não estão brincando, fazem isto desde que o Brasil é Brasil. A ira santa contra a corrupção no Congresso é um jogo de cena. O objetivo dos parlamentares, inclusive da oposição, é afastar as ameaças à classe política.
A Operação Lava Jato prova a cada dia que as eleições de 2014 foram gravemente comprometidas pela injeção de dinheiro sujo da corrupção e que políticos e o governo eleito foram beneficiários. Daí, a solução para a crise passar por novas eleições. Que se chame o eleitor para limpar toda esta sujeira.
Imagem: Internet