a cidade como selva é uma comparação esdrúxula visto que me assombro com o barulho inesperado da noite do mato que nem é floresta nem selva talvez o outro lado do espelho. chega a dar vontade de rir do meu olho que vê verdes indissociáveis. a taquicardia de vergonha das pessoas sentadas em frente a casa em torno de uma conversa de cara limpa. nunca entrei no mato selva densa sufoco como é que sai daqui.

a cidade como uma cama dura se fica demais de um lado amortece o corpo. eu durmo em qualquer lugar e tô sempre reclamando do excesso de gente em cima da outra, apertada na outra, quanto mais larga a cama dura menos temos sentado em frente uma das outras para uma conversa franca e os corações na mão. arranhadas.

a cidade como polêmica virtual e falsa.

é tanto eu que esbarra no m’eu e esfola.

eu coração de papel. raiva contida. piada afiada guardada pra depois que o riso deixar de ser cínico. eu medo. eu atenção. eu silêncio no meio da cidade incalável. cidade agressiva. meu ego está atravessando quem? ando de lado. caranguejo que se preza nunca _. tinha uma coisa pra contar mas eu sempre esqueço porque tô sempre cantando uma coisa na cabeça. estar insatisfeita foi meu modo de dizer que não. canto na cabeça pra distrair eu de mim.

a cidade sou eu. dura. desacreditada. cheia de gente. querendo mais gente. inquieta. ferida debaixo da marquise.

Like what you read? Give taediu a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.