Ondas fragmentadas
Eu me sinto em pedaços. Um coração tão fragmentado que se apoia na certeza da razão, para não desaparecer. Meu pai tem um tumor de 2 cm no fígado. Estamos há dois anos tentando entender, de onde vem tantas hemorragias, que causam sua internação por dias e dias e na ultima delas, foram 30 dias porque houve uma complicação … não passamos o Natal juntos. Aos que muitos me conhecem, nada sabem, não por eu não falar, mas também. Porém isso não é assunto, acredito que não preciso da pena que ninguém, mas se as pessoas quisessem saberiam, porque eu imagino que se fosse em outro viés, eu faria diferente, eu sempre me questiono : “ — Eu sou a amiga que gostaria de ter ?” . E apesar de não ter talento algum, de não ser uma pessoa impactante, eu sou muito leal, aos meus amigos, ao meu trabalho, ao que eu amo, as minhas crenças, a Natureza, a toda essa bruxaria que existe aqui em mim, eu sou leal até o fim. E eu me sinto em pedaços. Já é setembro. Fragmentada. Depois que eu não tive mais tempo para os lamentos alheios, minha casa está vazia, depois que foquei na finalização da minha formação acadêmica e no amparo a minha família, muitos que tanto ‘nos amam’ não nos vêm mais, depois que tive que acordar um esquema para que meu filho não fique sozinho e eu consiga ir as aulas em paz, eu nunca mais vi. Não tem o convite para aquela breja e quando tem, é aviso e não convite.
Já é Setembro. E eu me sinto muito triste . Minha casa é a mesma o endereço não mudou, o que muda é o interesse, á vontade de fazer parte dos momentos frágeis e difíceis, permanecer mesmo quando tudo for caos, nem sempre as pessoas aguentam, acho que é até por medo do que um momento como este significa. O fim.
Eu não sou muito fã de namoros, pois o esterótipo comum priva minha liberdade e eu anseio pelo mundo afora, o oceano me chama para junto dele, eu nunca neguei tal chamado e frente á isso, não se prende o que é mar num copo .. oferece-lhe caminho, praias, pessoas e suas histórias, tudo isso apenas pra de alguma forma provar o quanto eu não tenho medo da solidão, até acredito que solidão por escolha é privilégio … agora o não compartilhar a dor .. olha essa é um novo status nesse meus 25 anos. Trago num músculo bombeador de sangue, rasuras, que fragmentam minha sanidade emocional, talvez porque em meio á dor, eu esqueça os momentos bons que vivi ao lado de tanta gente, que agora vive sua vida e é não os culpando por suas escolhas que os culpo.
Caos em mim, saúda o caos que habita em você.

