Primeiro Amor

Meu primeiro amor na verdade não foi meu primeiro amor.

Nos conhecemos em novembro de 2004 e não imaginava o que aconteceria. Acho que nem se me contassem eu teria acreditado, apesar de ter sentido um ‘choque’ nesse nosso primeiro encontro. Ainda lembro desse momento e até há alguns anos, quando me perdia nessa lembrança, ainda sentia esse ‘choque’.

De início uma grande amizade surgiu, algo que não sabia explicar pois nos conhecíamos há pouco tempo, mas já tínhamos uma confiança e cumplicidade de anos! Era uma sensação estranhamente gostosa e aconchegante.

Poucos meses depois fui morar em outro Estado, com um primo meu, pra tentar engrenar minha vida profissional. A despedida foi dolorosa por demais!! Não entendia o por quê de tanta dor. Nessa época já tinha me despedido de alguns amigos, por conta do internato, mas aquela dor não tinha precedentes. Passei um mês morando nesse outro lugar e nos falávamos praticamente todos os dias, numa época em que o celular não era tão acessível assim como hoje. Trocávamos e-mails, cartas (eu adorava!!!) e até a operadora telefônica foi generosa com a gente nesse período, pois, não me perguntem como, conseguíamos falar por horas e horas sem cobrança nenhuma! rsr…não era sempre, mas quando acontecia, a gente judiava!

Quando resolvi voltar pra casa, tracei o caminho da volta com uma parada estratégica para nos encontrarmos, já que morávamos em cidades diferentes mesmo antes d’eu ir morar com esse meu primo em outro Estado. No reencontro novamente aconteceu o ‘choque’, mas dessa vez com mais intensidade. Eu já não sabia o que estava acontecendo.

Mais tarde aconteceria nosso primeiro beijo e parecia que era meu primeiro, pois a sensação foi única, singular…foi novo!

Parecia que era meu primeiro amor. E foi, mesmo não sendo.

Foi a noite mais louca da minha vida!

Tinha que viajar pra minha casa no dia seguinte. 10hrs de viagem. Foram 10hrs pensando naquele beijo e em tudo que ele significou. As sensações que me trouxe, os desejos que despertou, os ressignificados...eu já não seria a mesma pessoa a partir daquele momento. Tudo fazia sentido, mesmo que nada fizesse sentido.

Foi um ano intenso, descomunal! A saudade era imensa, a vontade de estar perto consumia. Não sabia que cabia tantos sentimentos dentro de mim. Chegava a doer. Uma dor dilacerante e deliciante! Tirava o fôlego e me devolvia o ar. Não foi fácil, mas foi desejado e muito.

Infelizmente não foi uma relação muito duradoura. A relação não foi, mas o sentimento sim. Durou anos e anos, nem sei precisar. Até tenho uma vaga ideia, mas é melhor deixar pra lá. Quando decidimos por terminar, um combo de dor caiu em mim. Perdi um amor e perdi uma amizade. Pra quem iria falar sobre a minha dor se queria desabafar justamente com quem a causou?

Sem querer fazer muito drama, mas sendo impossível fugir disso, não lembro quando foi que falar sobre isso parou de doer, mesmo tendo me relacionado com outras pessoas depois. Sentia que algo aqui dentro tinha se partido, e quando soube que passamos a morar na mesma cidade, andava atenta pelas ruas ansiando por um encontro ao acaso que quase aconteceu, mas eu não fui notada. Fiquei na minha, pelo menos por fora, por dentro tudo se remexia.

Muito coisa [não] aconteceu.

É engraçado falar sobre isso hoje e não sentir nada. Engraçado porque tinha a sensação de que isso jamais passaria e mais engraçado ainda por querer ‘reviver tudo de novo novamente outra vez’, não necessariamente com a mesma pessoa e sem a parte do término, é claro! Já chega de tanto sofrimento! Deus me free! Obviamente que cada relação desperta sentimentos diferentes, mas as sensações trazidas pelo ‘primeiro amor’ são indescritíveis!

Sim, sou uma romântica incurável!

Sim, quero morrer de amor e continuar vivendo!

Sim, sou trouxa! Não, pera…

Talvez eu seja a última romântica…