Ah! os problemas do coração

Ilustração: Henn Kim

Estava voltando da faculdade quando uma música me tocou. Mais do que isso, ela invadiu meu corpo e mente. Entrou na minha alma, e como sempre um frio na barriga e uma sensação de leveza. Aquele que só dá quando relembro coisas boas, lembranças que marcaram minha vida.

A música era Trouble — Coldplay.

Não sou fã da banda, conheço poucas músicas, mas essa é A música, só pelo fato de lembrar do meu “primeiro amor”, brigas e angústias que todo casal tem. E ela fez eu lembrar do quanto amadureci em relação a essas brigas.

O ano era 2004 e comecei a namorar um guri que minha mãe não curtia muito, ele era ~rebelde~, ~maconheiro~, ~skatista~, ~rockeiro~ (isso eles diziam — a sociedade-) … tudo o que um menino não deveria ser em uma cidade de 10 mil habitantes. E eu fiquei com ele. Namoramos por longos 12 meses, até o dia em que ele me deu um chute na bunda. Na minha mente eu amava muito, não iria conseguir viver sem ele. Fiquei muito mal. Meu primeiro namorado me chutou! Então a música escolhida para curtir aquele sofrimento foi trouble. Fiquei a semana ouvindo ela e sofrendo, me perguntando por que ele não quis mais ficar comigo, sendo que ele nunca demonstrou que queria o término. Questão de semanas ele apareceu com outra namoradinha. Esqueci o sofrimento e toda aquela dor de não saber o motivo do fim. Foi então que comecei a perceber que não é fácil amar.

Amor é quase que sinônimo de angústia.

No ano de 2007 conheci uma pessoa que me deixou sem chão novamente. Mas tinha um problema; ele morava na capital, separados por 8 horas de viagem. Isso não foi problema. Distância definitivamente não é problema para o amor.

Namoramos por 6 meses via internet até que a guriazinha do interior pegou suas malinhas e foi para a capital, em busca de novos horizontes e obviamente ficar com o amor dela.

Sobre as angústias de viver como casal e brigar por coisas bobas: depois de algum tempo de convivência o que era tudo perfeito começa a se mostrar não tão perfeito assim. Briguinhas, ciúmes, palavras não ditas — elas, ou falta delas tem um poder gigante. Acredite!- defeitinhos que antes tu não percebia, incompatibilidade de pensamentos em assuntos mais sérios. Mas a pior coisa é: dormir brigados, principalmente quando tu já mora com a pessoa. Lembro das primeiras brigas que tive com meu namorado, ficava me remoendo, chorando, pensando em mil coisas, querendo pedir desculpas, abraçar. E o único sentimento que não deixava com que eu dormisse de bem com ele era o maldito orgulho. Passava a noite sofrendo a toa porque no dia seguinte não me aguentava.

Conforme os anos vão passando, e as brigas aumentando — ou não- nos damos conta que não vale a pena brigar por coisinhas que não nos levam a nada. Clichê? Sim. Mas a maturidade sempre nos mostra que a vida é um clichê.

Não adianta brigar quando ele ficou olhando uma menina bonita. Faça diferente, olhe para ele e diga: também achei ela bonita. Não brigue quando ele saí com os amigos no sábado para jogar futebol e beber. Ninguém quer uma pessoa controlando o teu tempo e o que tu faz o tempo inteiro. Sejam parceiros. Sejam amigos. Não briguem quando tá faltando grana no final do mês. Não brigue quando ele não tem paciência de ficar te esperando escolher uma roupa. Não durma com uma discussão na mente, faz mal para o coração, sério! Relacionamento é complicado demais, não complique o complicado.

Já passei por muita coisa com meu namorado; términos, brigas feias, noites rindo até doer a barriga, conversas intermináveis sobre a infância, dias na cama olhando tv, viagens, dias longe, aprendizado, dois cachorros, planos, saudade, rotina.

No ~alto dos meus 26 anos~ aprendi a não deixar para amanhã e dizer “desculpa, eu te amo”. Leva tempo, mas a gente aprende.

Agora quando ouço Trouble me dá uma sensação de que eu cresci, de que aprendi a amar os defeitos que a minha relação tem.

Fazem 9 anos de amor e angústias.

Hoje muito mais amor do que angústias.

Ao meu eterno amor.