Cata-Vento

Era manhã de sábado, mês de Setembro, lá ia eu com a gasolina na reserva de um carro semi-arrendado como de praste, pra mais uma reunião de “trabalho” daquelas em que a perspectiva de dinheiro morava a pelo menos 2 anos a frente, eu com bolso vazio mas sem me importar muito com o retorno financeiro, no romantismo ou na imaturidade de apenas o projeto acontecer, dar certo, sair das ideias, abrigar o papel e do papel o campo físico do mundo (onde as coisas acontecem). Hoje com 25 já considero a possibilidade de ser romântico um fato no qual gostaria de me livrar, mas não consigo.

Naquele dia um pouco diferente das reuniões que eu costumo ir 3x na semana, decidi observar o comportamento ao redor, pra concluir o que de fato é ser “independente”. Algo que sempre me soou positivo porém icônico, revolucionário demais pra um séc XXI que já ultrapassou os limites do que os artigos chamam de Consumismo, é nada mais que uma nomenclatura pra um idealista (criativo, mercadológico, inovador) um projeto de Jobs que sonhei ser um dia.

No meu cortéx, a probabilidade de algo dar certo com uma equipe era até então 100% maior comparado ao fato de eu tentar dar saída sozinho a qualquer uma das minhas ideias, bobagem. Descobertas e descobertas, hoje me levam a crer que trabalhar 100% dedicado pra algo dar certo implica em 2 eixos (trabalhar sozinho OU trabalhar com uma equipe que hiberna na dependência da minha parte dar certo pra que haja 10% de dedicação deles). Eu desisti, não da vida, nem mesmo das minhas “paradas” mas desisti do “outro” como parte integrante do que só eu acredito. Isso inclui os quase todos, principalmente os que por algum ponto do tempo, decidiram optar pela mesma profissão que a minha.

Sobre as amizades, ah as aaaamizade hoje consiste basicamente em show, cerveja, ganja e beijo na boca, hora outra um milagre, mas é raro. Sobre o show eu já me recuso gastar R$50 pra ver algo que eu já vi mais de 3x, não que eu tenha voltado de um intercâmbio metido, mas é que a possibilidade de ver coisas novas, me agrada muito mais do que a ideia de ver a mesma coisa por N vezes. Ganja é algo que transf meu lado expressivo em introspectivo e vejo mais do que eu deveria sobre o ego do outro, machuca minha opinião a respeito deles então prefiro evitar, apesar de hoje eu não considerar parte da Natureza, uma droga. Beijo na boca também é algo que já não me tira de casa, beijar bocas alheias pra ter a breve sensação de prazer e conquista é nada perto de ver um fiscal de imigração dar +1 carimbo no meu passaporte, mas só quem realmente passou por isso pode entender o que é CONQUISTA. E sobre os milagres vem daqueles que aparecem aqui pra almoçar, dar risada, ver as Muitaaaas coisas que produzo e dizer palavras de carinho como: invista mesmo, se jogue, tá ficando massa e tal e tal.

Minha motivação já não é a mesma pra iniciar as coisas, meu pé atrás tem me dado horas e horas de insônia e esse livro Da Traição talvez seja um aviso despreendido de alguma força infinita me dizendo pra não confiar demais.

Vou seguindo com textos mais breve e rimas baratas pra versos curtos, acho que consigo dizer a mesma coisa de forma mais sintética e sensível pra só eu e quem tá dentro de mim entender, esse formalismo academicista de faaaato, não combina comigo.

Pra Deus
Tainan.

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