Vinte e Cinco

Exponha-se e Suporte.


Em primeiro lugar eu aprendi a agradecer a Deus, seja lá como ele é chamado (Jah, Alah, Jeová, Oxalá, Destino, Música, Arte…) na real ele é o mesmo e todos nós ao mesmo tempo. Então obrigado por estar aqui e chegar aos 25, bem louco estar vivo.

Depois eu tenho que agradecer a minha mãe (tem mãe, tem tudo) agradeço ela por ter escolhido Will pra ser meu pai, agradecer a ela por me ensinar a ser educado, atrevido, maloqueiro, consciente e controverso. Eu sou igualzinho a minha mãe, um turbilhão de mil fitas ao mesmo tempo.


Agora na sequência peço pro “destino” que dobre o caminhos pros próximos 25, 50, 75 … sei lá. Quero viver muito, quero viver logo, quero tudo, tudo pra mim e tudo pros outros também. Desejo que esse dia seja bom só pra mim não, quero que seja bom pra todo mundo, se eu pudesse abraçaria o mundo todo pra fluidificar a energia que vem de dentro.


Mas com 25 nem tudo são flores e frutas, acho que todo mundo, que felizmente chegou nessa idade com vida, descobriu que o mundão é floresta cheia de espinhos e animais ferozes. Portanto me sinto no direito de falar algumas coisas ao meu respeito e do mundo ao redor também.

Com 10 anos eu forçadamente me mudei pra um lugar “bom” um prédio com cercas de proteção, porteiro, garagem, 2 quartos e tal. Nesse lugar eu sofri um pouco, com as brincadeiras que faziam comigo, com as brigas que arrumavam e com as inúmeras reclamações a meu respeito. Eu definitivavamente não sabia como morar em prédio, eu era rua demais pra ser domado ali, mas aprendi a conviver e entender as regras do jogo, hoje tenho grandes amigos fruto daqueles momentos. Agradeço a Deus por isso e pelo vôo de paraquedas que entrou pra história.


Aos 15 anos fui estudar numa escola “boa” mensalidade era absurda e eu mais uma vez tomando marreta dos moleques que escondiam meu boné, pisavam no meu boot branco, me empurravam nas filas e arrumavam tretas pra me pegar do lado de fora da quadra. Dei um passo pra trás depois de 1 ano e outros problemas, Professores que disseram que eu não seria porra nenhuma pra minha mãe que ouvia tudo aquilo em fúria. Mas aprendi a conviver, aos poucos fui passando pelos obstáculos até ganhar o primeiro beijo de uma, namorar com a menina desejada na outra, a primeira medalha de ouro, o primeiro freela (pago) só não tive as primeiras notas altas, aí também seria demais. Fiz alguns amigos verdadeiros, água filtrada, que até hoje fazem figa nas minhas ideias, e uma suspensão “coletiva” que entrou pra história. Graças a Deus.


Aos 19 fui pra faculdade e mais uma vez, VENENO. As brincadeiras eram mais pesadas, as pessoas criticavam de forma mais dura, teve um cuzão que vivia se gabando na primeira faculdade, mas no dia que o time dele perdeu do meu não suportou a pressão e cuspiu em mim, teve uma puta na outra que disse que um dia ia me ver mendigo e desdentado, dentro do lab, na cara do professor, oh que fita. O tratamento era monstro, gente tentando me embebedar, gente tentando me escravizar “nos trabalhos”, gente me oferecendo bagulho errado e eu fora da zona de conforto pela 3x com um pouco mais de habilidade pra lidar com os monstros que eu escolhi “conviver” na busca de algo melhor pra mim. Também fiz amigos, dentre eles um cara que hoje é referência de trabalho, outro que virou família e prato principal de sábado, hahaha. Eu? Mais uma vez sou extremamente grato a Deus pela oportunidade e pelo elogio acompanhado da nota 10 no tcc de SKATEBOARDING que eu também acho histórico.


Agora tenho 25 e estou no lugar mais longe do “conforto” possível, e você acha que aqui é diferente? Na real (mais uma vez) acho que vim pra esse mundo com a sina, vicio ou “destino” de sempre fugir da zona de conforto, pra conquistar novas posições, eu não consigo ficar muito tempo frouxo, preciso me manter motivado. Aqui eu já ouvi que a mudança no Brasil é impossível, que sou fruto das esmolas do governo e que minhas correntes no pescoço representa o satanismo de uma religião brasileira, é mole?! Tem coisas que me deixaram profundamente descontente com a minha geração “intercambista”. Até agora eu “ainda” não fiz nada histórico, mas já sentei em reunião com businessmans, já recusei ofertas sujas de trabalho e continuo focado em planos maiores do que criar um feriado na escola ou elevar o skate ao nível acadêmico com nota máxima, mas agora com uns caras do Paraná que também chegaram aqui no corre monstro, se liga que nós vamos sacudir muita estrutura, com fé em Deus…


Resumo:

  • FATOS: Na nossa história, sofremos com um processo de colonização/urbanização em que pessoas parecidas comigo e com a minha família não nasceram pra ocupar tais espaços, se hoje a gente sofre é porque somos motivados a estar em lugares que não foram “desenhados” pra gente estar. E o “inimigo” que sofre com a crise econômica/hierarquica usa dos conhecimentos e sarcasmos pra tentar diminuir nossa corrente, durante muito tempo eles conseguiram, agora não conseguem mais.
  • CRISE é o nome que a imprensa criou e deu pro jornal explicar esse terror de perder espaço pra gente. A lei de Newton diz que 2 corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, e se agora eu ocupo, é porque alguém deixou de ocupar. Do nosso lado chamamos de “Acenssão da Classe C” mas isso aí o Criolo explica melhor que eu.
  • SONHO: Eu queria ser jogador do Corinthians, não deu. Aí eu virei camisa 7 do Sambadinha, fazia gol e saia rodando os braços.
  • Eu queria apresentar um programa de televisão não rolou, eu criei um site/blog/videocast e apresentava o OutraVibe, até camarim em evento monstro eu descolei.
  • Eu queria andar de skate que nem o Rodrigo TX, não deu. Aí eu fiz uma marca de skate pra mim e meus amigos chamei de Suave, tal qual as manobras dele. Ví o melhor trio da Bahia, usando os panos no Trio Elétrico.
  • Sempre sonhei em trabalhar em um estúdio foda igual dos videos, entrei pra uma agência zuada e frustrei, fui demitido e fundei a minha/nossa, fiz trabalhos super bacanas, com pessoas especiais, conheci o Rio de Janeiro de helicóptero, almocei com monstros dos videos gringos e mais coisas que só o Rio de Janeiro sabe.
  • Eu queria viajar pra Bangkok pintar e tomar banho com os elefantes todo dia, não rolou. Eu tô em Dublin com um elefante tattooado/pintado no braço que tomo banho todo dia.
  • Sonho é quando você projeta algo e FAZ. De um jeito ou de outro. Meu sonho agora é (…) #VaiDarCerto!



Se de alguma forma você leu isso até o fim, e curtiu, pode fazer também. Acredite nos seus sonhos, fortaleça-se na sua família e ocupe lugares de forma positiva. Eu não sou referência pra ninguém, nem quero sacou? Sou feliz porque sou livre, livre pra poder fazer o trampo que eu quiser e dignidade pra isso. Minha opinião muda o tempo todo e assim como todo maloqueiro que cresceu ouvindo Racionais, eu também quero o azul, o vermelho, o balcão e o espelho… Ganhar dinheiro muito, viajar muito, tomar várias cervejas e projetar mais N sonhos!


Pra fechar, eu agradeço mais uma vez, Deus todo poderoso, a minha família que sempre dá o suporte necessário na medida do possível, aos que estão em outro “cosmos” mas protegem de lá, minha namorada linda que apareceu pra dar jeito na minha vida me fazer sonhar com mais dedicação, meus amigos/irmãos que tão lado a lado sempre, as meninas também e vamo-nessa, sorriso na cara, foco na missão!


ODOYÁ