Vamos imaginar que você está no meio de uma ponte, que estão presas em dois penhascos (aquelas de desenhos animados, sabe?) e obviamente você está com medo, ela balança por vários motivos e você precisa se segurar firme, você não consegue ver o que há lá embaixo, mas sabe que é fundo, escuro e solitário. As estacas que prendem na ponta de cada penhasco não estão sólidas ao chão, às vezes elas parecem querer se soltar, mas parecem aguentar mais um pouco.
Aquela ponte é a passagem de várias pessoas, elas não estão presas como você. Da para perceber a realização em seus olhares, a razão de estarem felizes passando pelo o que você não está confortável. Elas continuam se movimentando, seguindo em frente enquanto você só está regredindo invisivelmente e se enchendo de desgosto. Elas andam rápido, enchem-se de orgulho e fazem o que fazem com amor. Mas acontece que a ponte balança um pouco mais forte no momento que você percebe, novamente, o quão deslocado está, sentindo-se infeliz com a as experiências passadas. Essa ponte também balança com as palavras ditas,aquelas palavras maldosas, você se encolhe, chora e tenta não pensar na profundeza do penhasco, mas isso não funciona e tu sabe muito bem que se cair na escuridão, pode ser que não volte mais.
“E é mais um sol, como será essa noite?
Eu tô no lençol, preso ao levantar
Contando estrelas
Medo de sair nas ruas
É que ontem foi mal
E é pro céu minhas desculpas […]” Desculpas – Dias de Truta