Escola de Princesas

Sobre isso eu gostaria de dizer que é um desserviço a todo avanço que nós mulheres conquistamos sobre a quebra de nossos papeis em sociedade. E eu gostaria de perguntar primeiramente, o que é ser princesa?

Ser princesa é ser submissa. Eu me lembro dos filmes antigos da Barbie, e de uma musica que falava sobre o que é ser princesa. É ser paciente, sorrir, acatar, não pestanejar e obedecer. Ser princesa é ser frágil e delicada, é nunca ser mais que um príncipe. É nunca ser Rei, sempre princesa.

Ensinar conceitos de como se maquiar, cuidar de uma estrutura familiar e de seus filhos a crianças é absurdo. Além de reforçar esteriótipos de gênero, por que só a meninas são atribuídos esses papéis? Por que ensinam aos homens que as mães e suas futuras esposas, mulheres presentes em sua vida, precisam ser verdadeiras babás?

Por que não ensinar a pequenos meninos como ser um bom pai e a cuidar de sua casa? Afinal, também reside nela, e é dos residentes a obrigação de zelo pelo lar. Para organizar uma casa é preciso ser funcional, humano, não ter uma vagina. Por que reforçar que meninas nascem com dons naturais para maternidade e lar, em vez de ensinar meninas que são poderosas, astronautas e policiais, se assim quiserem?

Reforçar a relação de domínio entre macho e fêmea para crianças é desleal. É colocar na cabeça de futuras mulheres brilhantes que nasceram com um mísero proposito, e que deve acatar sem reclamar já que afinal é isso que faz uma verdadeira princesa de contos de fadas.

Ensinam os meninos a serem heróis, bandidos, policiais, bombeiros, presidentes. Ensinam meninos pequenos a tão frágil masculinidade, e que para alcança-la, precisa humilhar e ofender outros, inferiores. Ensinam meninos a serem rudes, e à meninas, a aceitar.

Não é preciso reafirmar o quanto isso é injusto. E o quanto é assustador assistir pessoas aplaudindo a cultura que inferioriza a mulher. Pra mim, precisamos quebrar o papel de princesas. Não queremos mais. Queremos ser Rainhas, livres, dominantes sobre nós mesmas.

Queremos ir a lua, queremos apagar incêndios, lutar contra o crime, ter super força, voar, ser grandes pilotas, ser grandes médicas, engenheiras, físicas, químicas e neurocientistas. Queremos acima de tudo ser grandes mulheres. Sem a imposição que nos acompanha desde a infância, que para sermos grandes, precisamos ser pequenas.

Queremos ser grandes, por ser grandes. Por ser mulheres e por ser capazes.