Eu perdi o “Felizes para Sempre”

Essa é uma história sobre abuso. Físico ou psicologico, continua sendo uma história sobre abuso. Não precisei de muito estudo para fazê-la ou de muito tempo ou inspiração para escrever. Eu precisei olhar pra mim e me enxergar.

Não começou faz muito tempo, na verdade a pouco. Começou quando eu tomei consciência da minha consciência, havia algo errado com ela. Só não funcionava como deveria e os conselhos eram inúteis. Não existe aprenda com os erros quando não se sabe o que é real dentro de sua própria mente.

Não era a mesma coisa pra mim. Um sentimento comum era tão mais intenso, que com o tempo eu comecei a morar em mim. Desisti do que é real, já que a realidade era cruel demais para habitar. Começou com um conto e de repente, existia um mundo dentro de mim.

Todos, exatamente todos fogem da realidade e se refugiam em sua mente por um tempo. Isso se chama conforto. Mas não é sobre isso que eu to falando. É sobre o total descaso a vida. A minha vida. Sobre como eu me abandonei e desisti dela, a troquei por minha mente e me fechei lá. Ainda não consegui sair.

Nessa história não existe linha do tempo, cronologia e vários eufemismos para dizer que não tem ordem. Eu sinto demais. Não é dizer que uma felicidade é muito boa e a tristeza sufocante. Eu realmente sinto demais. Não só sentimentos.

A minha, digamos que, incapacidade de viver a realidade me deixou presa a uma temporada em minha vida. 2012–2016. O tempo não passa como deveria. Dentro desses 4 anos tudo parou, estagnou, e eu voltei a um estado que eu nunca saí, apesar de ilusitoriamente achar que vem alguma melhora.

Tratamentos são feitos, remédios e mais remédios. Mas não muda. Eu não consigo sair da minha mente. É fechada, sufocante, fria, úmida, e muito clara. É branca. Um lugar onde há como se esconder do meu pior inimigo, eu. É frustrante.

É muito frustrante tentar sair, não há portas, e é lá onde os abusos são cometidos. É lá onde eu sou obrigada a me olhar no espelho sem parar.. E é lá onde minha mente me tortura com meus medos. É aqui, na realidade, que ponho pra fora. Que me machuco, que sofro, que sinto dor.

Dor física, dor real. É aqui onde os monstros me pegam sem que eu consiga fugir deles. É aqui que sou obrigada a acordar todos os dias, mesmo não reconhecendo como realidade. É no mundo real a minha vida e eu não consigo enxerga-lo. Aos poucos vou deixar passar.

É aqui onde eu externalizo a surra que tomo todos os dias. Eu não preciso gritar pra isso. O silêncio. É aqui, é lá, e todos os locais que eu estiver. Não se foge de si mesmo.

Essa é minha história comigo, com a minha condição psicológica, com a minha vida.

É por isso que eu digo, eu perdi o felizes para sempre. Não tem sempre, ou felizes por aqui. É um looping louco de emoções e condições atemporais que fazem parte da minha realidade, ou falta dela. Eu perdi a guerra.