CACHAÇA

esse texto se propõe completamente a incitar o uso dessa maravilhosa droga. e a descobrir umas verdades também.

a madrugada do ultimo domingo ficou na memória daqueles 3 . se não ficou, deveria. marcaram do nada uma ida ao ponto mais boêmio da cidade, sem nenhum motivo aparente, só marcaram. e foram. já passava da meia noite quando decidiram sentar num banco perto do mar e discutir o que fariam até que o dia amanhecesse.

um deles, o menos sóbrio no momento, estava muito mais feliz e falante que o normal. contando sobre casos da vida, sobre um relacionamento passado, sobre abraços que sentiu vontade de dar no ator do espetáculo que acabara de assistir. as outras duas ainda estavam iniciando os trabalhos: a mais velha, sem pretensão alguma de que o resto do dia fosse mais interessante do que havia sido todo o seu final de semana, e a mais nova, já pensando em toda fritação que a madrugada lhe proporcionaria.

mas a cachaça faz é coisa

querendo ou não, as quatro da manhã, os 3 não passavam de nada além do que todos os outros ao redor deles: meio bêbados, meio tontos, meio chapados, meio vomitados, meio felizes. e assim continuaram. Quem observava de longe conseguia enxergar toda estranha sutileza daquele grupo: enquanto uma cuidava do outro e cantava completamente desafinado, a outra observava e ria, como se recordasse de um momento da sua vida que foi exatamente assim, só que com menos notas musicais destruidas.

não teve jeito, a cachaça aprontou de novo: os deixou despidos de todas as convenções sociais. se jogaram no chão daquele apartamento: uma pedindo por um cigarro, outra afirmando ser “ninguém” e o outro, só por se jogar mesmo. quem seria o primeiro a acordar daquele transe encachaçado? melhor: quem seria o primeiro a querer acordar daquele transe encachaçado?

me parece que até o dia amanhecer, ainda se obrigavam a permanecer naquele transe. era mais legal que o mundo sem a cachaça, o mundo de ter que limpar a caixinha de areia do gato e levar a roupa pra lavar. o mundo de não deitar no tapete da sala e de não passar um começo de dia tão excitante com um “bom dia” meio torto mas dito pessoalmente e não por mensagem de texto era chato demais para que abandonassem com facilidade a cachaçada ~pouca~ da madrugada.

aí a cachaça foi embora, todinha.

ele acordou envergonhado, se desculpando. se desculpou mais umas dezenas de vezes, mesmo sem motivo. estavam todos no mesmo barco. todos na mesma garrafa. todos no mesmo copo. farinhas do mesmo saco, cachaças da mesma cana. de igual pra igual nada soava errado ou estranho, era apenas a vida na sua mais bela e corajosa maneira de se viver sem preocupações.

aposto que esperam ansiosamente por outra cachaçada. mas vá devagar: no open bar da vida, caixas eletrônicos 24hrs funcionam apenas das 06h as 22h.

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