Aos vinte e poucos e à deriva
Lucas Rodrigues
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Lucas, me encontrei muito no seu texto. Cada vez é mais recorrente essa sensação de que não tem nada terrivelmente trágico na minha vida, mas ainda assim é constante essa sensação de desconforto ou apatia. Por um lado, me sinto meio ridícula, tipo uma personagem do Woody Allen com toda aquela superficialidade burguesa de nunca se contentar com nada e manter uma vidinha niilista simplesmente porque pode. Por outro, me pergunto seriamente se essa apatia não é uma ressaca de entender que não dá mais pra apostar tudo nos meus sonhos, que, no máximo, se eu me organizar direitinho dá pra me dedicar no fim de expediente e nos finais de semana. É meio triste constatar que, em partes, felicidade, para mim, é sim ter dinheiro suficiente pra viver com algum conforto. Dá um bode terrível reconhecer que quero todas aquelas coisas banais que todo mundo parece querer. Em meio a tantos imperativos — porque fugir do padrão heteronormativo caretinha de felicidade não significa que estamos realmente livres de palavras de ordem- , é muito difícil descobrir o que realmente desejo e, mais ainda, aceitar e acolher isso.

Essa pergunta vai ficar aqui ressoando na minha cabeça: como eu vou me sentir realizado se eu não tenho uma perspectiva do que é a realização?

Descobrir sozinha um sentido para minha vida é algo muito puxado. E, por mais que politicamente, ache isso bastante problemático, sinto que não existe de verdade outro caminho.

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