Acenda a Luz

“Ao invés de culpar a escuridão, acenda a luz” — Eckhart Tolle

O cerumano curte um barraquinho, né? Quem é esponja assim como eu sabe do que eu tô falando. Eita povo que gosta de exaltar as notícias ruins, se exaltar com coisas não necessariamente tão ruins, tornando elas horríveis aos olhos do mundo.

E não tô falando de gente má, tô falando de gente do bem, de todo mundo. Até mesmo nós, reles esponjinhas do universo às vezes gostamos de um sofrimentozinho.

Funciona assim: o seu corpo de dor, como explica o Eckhart em “Um Novo Mundo — O despertar de uma nova consciência” é uma partezinha escondida da sua inconsciência que vive com fome de conflito. Ele fica lá, no cantinho dele, só aguardando aparecer a primeira oportunidade de gritar pro mundo o quanto “isso é um absurdo”, “meu deus que horrível”, “fulaninho isso”, “você não merece aquilo” e todos os outros julgamentos que a gente adora fazer. Daí acha que tá abalando, acha que sabe do que tá falando e pode sair por aí cagando regra na vida de todo mundo sem saber que lá no fundinho, cara, tá tudo na maior perfeita paz e você tá só fazendo uma ceninha, pra alimentar o seu corpo de dor, que precisa enxergar alguma coisa ruim. Já parou pra perceber como você se sente instantaneamente satisfeito quando “ganha” uma discussão com alguém? E não vem mentir pra mim que você não curte discutir, porque todo mundo curte discutir. Pode ser sobre o vestido que é azul e preto ou branco e dourado, e pode ser por sentimentos que o seu coração interpreta de forma unilateral.

O mundo não é bom não, o mundo é cruel, as pessoas são más, não existe amor em essepê, e toda aquela baboseira que a gente lê nas revistas, vê na TV, constrói com os olhos do sofrimento e acredita até o final que 99% do mundo é isso e apenas raros 1% são pequenas coisas boas.

Aí me explica: por que a gente então gosta de falar das coisas ruins ao invés de falar das boas? Por que, mesmo sabendo que estamos no meio da escuridão, a gente não tem coragem de acender a luz? Só porque coisas boas aparentemente acontecem em menor frequência diante dos nossos olhos?

Do que adianta ter um quadro do Van Gogh se na sua sala você vai expor só a cópia pra todo mundo ver? Em que momento você realmente vai parar pra entender que coisas boas na verdade são tão comuns como qualquer notícia ruim?

Para pra se enxergar. Meu pedido aqui não é pra você virar a pessoa mais otimista do planeta. É pra olhar pra dentro. Para pra pensar que legal a camiseta que você tá usando, ou que maravilhoso é ter opiniões diferentes de alguém, ou que bom ter encontrado aquela pessoa que você mal conhece e já considera pakas. De preferência faça isso antes de você alimentar seu corpo de dor, pare para enxergar que as coisas podem ser muito mais simples, e muito mais leves.

Tá afim de comer um doce? Seja feliz, não fica alimentando seu corpo de dor só porque tá “todo mundo” na academia. Tá afim de ir no cinema e aquele amigo não tem agenda? Vá sozinho, seja feliz. Tá achando que você trabalha mais que o colega do lado e é prestigiado menos? Colega, desapega, seu trabalho é só o que você faz, e não quem você é.

Entendeu como é simples?

Para pra enxergar teu mundo, Sebastião. Porque o mundo é bão sim, e quando você estiver na escuridão, ao invés de culpá-la, acenda a luz.