Pra quando você quiser voltar

Pra ler ouvindo The Beautiful Girls- La Mar

De repente eu me peguei te observando partir mesmo contra a sua e a minha vontade. Me peguei vendo chegar alguém que me roubou mesmo que eu não tenha nada pra ser roubado, sem que eu quisesse fazer nada pra te impedir de ir ou impedir ele de chegar.

E aí eu percebi.

Percebi como a gente põe um peso nos sentimentos pela simples mania de julgar tudo e todos, e nós mesmos. Percebi que a gente coloca um passado nas pessoas como se isso fosse servir de comparação mesmo quando acabamos de conhecer alguém. Sempre vai existir o antes e o depois de alguém.

Percebi que a gente se engana com o tempo. Que a própria noção de tempo é uma completa enganação. Que para ter o mundo eu preciso só de um minuto e que desperdicei muito desse pseudo-tempo criando uma vida pra gente que jamais existiria, pela simples mania de criar um passado e um futuro contigo, mesmo sabendo que o presente não chegaria agora.

Eu queria imaginar a gente junto, queria imaginar a nossa casa, a nossa rotina e nossos filhos. Eu queria me agarrar na ideia de que você era o cara. Meu ego queria que a gente fosse feliz.

Você pode me rondar agora, pode continuar no meu inbox quanto tempo quiser porque sabe que eu mudei, mesmo que absolutamente nada tenha acontecido.

Você pode ir embora se quiser também, e deixar que a vida faça o papel imprevisível dela. Eu percebi que não faz diferença.

Mas se quiser voltar, volta. Não tem problema, mas volta pra valer, volta e esfrega na minha cara que eu posso mudar de ideia mais mil vezes que nada vai me tirar de você. Volta assim, só se for assim. Só quando você realizar que esse mundo criado pelo seu ego não deixou você se aproximar das minhas ilusões, e que a gente não teve chance de brigar por isso.

Quando você se encontrar, me liga. Talvez eu ainda esteja no meu pseudo-tempo, ou talvez eu tenha dado a mão pra ele e tenha ido ser feliz.