Meus 10 álbuns essenciais de Power Metal e “insônia criativa”.

Se o vocalista fosse loiro e tivesse uma espada, seria todo o power metal resumido em uma imagem. Talvez se tivesse um dragão, também.

Bem, a noite anterior a qual eu escrevo isso foi mais uma das minhas noites do que eu gosto de chamar de “insônia criativa”: noites em que eu luto desesperadamente pra dormir mas minha mente se recusa a desligar. E talvez, como um ato de rebeldia pra me deixar ainda mais puto, não só não me deixa dormir como começa a me dar ótimas ideias de coisas pra fazer: roteiros pra vídeos, textos, edição de imagens, conversas que eu gostaria de ter com amigos, músicas que eu gostaria de escutar, rants sobre qualquer coisa e até mesmo arrumar meu quarto (eu não tô brincando, já aconteceu algumas vezes de eu levantar para arrumar meu quarto às duas da manhã).

O problema é que muito do que eu acabo planejando nessas viagens mentais no travesseiro eu acabo não concretizando de fato, porque eu estou tão irado de não conseguir dormir que eu tento focar 100% na tarefa, e nisso acabo não anotando as coisas que pensei e que seriam muito interessantes de ter mais tarde. Inclusive, dois roteiros de vídeo que eu produzi aconteceram nessas noites, o review de Sonic Labyrinth e um roteiro que eu acabei descartando pois achei que devia estudar mais sobre o assunto e fazer um roteiro mais direto e conciso. Uma pausa rápida aqui pra dizer que se você é um amigo próximo meu, você provavelmente já viu esse vídeo que eu comentei, mas se por algum milagre alguém que não é meu amigo está lendo isso e quiser entender do que diabos eu falei, procure no YouTube por “Canal Shoryuken”. Eu parei de fazer vídeos por motivos de força maior, mas se quiser se inscrever lá pra quando eu voltar a fazer, eu agradeço de coração. Enfim.

Acho que essas insônias criativas são causadas por um misto da minha ansiedade e de algum transtorno de deficit de atenção que não me foi diagnosticado. Inclusive, deficit esse que me fez sair totalmente do curso do que eu queria ter discorrido sobre. De volta ao principal então: na noite de ontem eu tive essa dificuldade pra dormir e nos acessos de criatividade que impediam meus olhos de se manter fechados, eu pensei comigo mesmo: “Porra, aquele texto que eu li hoje sobre o cara se preparando para o campeonato de Street Fighter V da EVO desse ano é realmente muito bom. Sinto saudade da época em que eu escrevia textos por diversão…”. Eu era bem ativo na internet na época de ouro dos fóruns e blogs, então eu lia muitos textos sobre qualquer coisa e volta e meia eu acabava escrevendo um texto sobre qualquer coisa. É uma época mágica da internet que eu honestamente sinto saudade. As pessoas eram mais amigáveis, discutiam menos por besteira, e principalmente escreviam muito. Hoje, você resume seus pensamentos com duas linhas no Twitter ou Facebook, porque do contrário ninguém vai parar pra ler o que você escreveu. Esse é o motivo de eu assumir que ninguém além de amigos pessoais vão ler esse texto, inclusive. Não estou nem tentando fazer uma “critica social foda” nem nada, é só algo que se foi e eu sinto saudade, mas eu compreendo os motivos dessa mudança e de como é impossível essa época voltar.

Bem, como eu disse, já fazia algum tempo desde a última vez que eu escrevi de verdade. E como eu estou atualmente desempregado e não estudo, meu tempo ocioso é consideravelmente maior que o da maioria das pessoas. E eventualmente é bom você exercer a criatividade, pra dar uma relaxada no estresse de uma rotina lenta e também pra esquecer as contas que estão mês a mês se acumulando nas suas costas. Aí eu pensei sobre o que seria legal escrever. Minha primeira ideia foi fazer uma lista com meus 10 álbuns de thrash metal essenciais, gênero esse que já tem algum tempo que eu não dou a devida atenção. Aí eu comecei a entrar em conflito discutindo quais discos eu colocaria, e acabei percebendo que faz tanto tempo que eu não escuto nada além de Megadeth e Anthrax que seria injusto fazer essa lista sem revisitar os grandes clássicos e os tesouros escondidos do metal coletinho. Pra você ter uma ideia, eu não lembro nem qual é meu disco do Death Angel preferido, uma banda que eu escutei por meses a fio até me exaurir dela mentalmente. Por isso, a solução mais óbvia pra esse problema era fazer a mesma lista, mas com meus álbuns de power metal preferidos. Esse, sendo meu gênero favorito, eu tenho muito mais contato, principalmente com os disquinhos que eu guardo no coração. E bem, é pra isso que eu estou aqui.

A lista de thrash eventualmente vai sair, eu só preciso de tempo pra pensar nela. E também de um outro tema pra dividir parágrafos, como as minhas insônias fizeram aqui. Talvez eu faça ainda mais textos envolvendo outros gêneros, inclusive gêneros fora do metal. Mas eu acho que já enrolei demais com essa contextualização, não é? Você provavelmente veio ver quais discos eu citei e me xingar por não ter esse ou aquele, ou então me xingar por ter esse ou aquele, e não pra me ver falando abobrinha. Bem, shame on you, eu só falo abobrinha.

Mas antes de começar a lista, eu gostaria de fazer uma retratação aqui pra evitar que tópicos sobre determinados discos fiquem longos demais: eu vou tentar falar dos discos com foco maior no power metal. Então discos que são híbridos de power e prog, como o Temple of Shadows do Angra ou o Art of Life do X Japan (que são dois do meu top 3 discos favoritos ever) infelizmente não vão aparecer aqui. Esses, eu acho melhor guardar pra eventuais outras listas. É o jeito que eu acho justo de comparar álbuns e listá-los. Eu não sei porque eu quero ser justo com música. Eu só faço as coisas assim. Ah, e pra frisar, essa é uma lista dos meus álbuns ESSENCIAIS, e não dos melhores. Você pode até entender isso como meus favoritos, mas de forma alguma eu quero listar quem é melhor que quem aqui. Além disso, a lista não está em nenhuma ordem específica.

Então pra começar, que tal começar do começo?

Muita gente discute qual a origem do power metal. Tem gente que fala que é com o Judas Priest, tem gente que fala que é com o Queensryche, tem gente que fala que é com os trabalhos do Dio… Pra mim, o ponto definitivo de partida é aqui: Walls of Jericho, do Helloween. Tem gente que vai me odiar porque eu escolhi justo esse álbum, eu mesmo me pergunto porquê não um dos Keepers, que são bem mais aceitos entre o público? A resposta é simples: “Walls” é justamente tudo que o power metal é e influenciou tudo o que viria no gênero depois. Você pode argumentar que o Blind Guardian fazia algo semelhante na mesma época, mas eu discordo um pouquinho, o Blind primordial sempre me soou bem mais como uma banda de thrash metal com influências melódicas, e só viria a se tornar realmente power com o Somewere Far Beyond. Mas aí é questão de opinião. E mesmo depois de tantas desculpas, eu ainda acho que o Walls não deve nada a ninguém. É o que eu carinhosamente chamo de “um puta disco do caralho”: é bem produzido, é bem composto, é bem executado, e principalmente, é bem foda. A música é sem as eventuais firulas que viriam a ser clichê do gênero, ele é simplesmente um murrão na sua cara com muita força e velocidade. Grande parte do mérito disso tudo vai pro nosso grande deus, Kai Hansen, na época guitarrista do Helloween e também vocal. Não a toa tem gente que nomeia ele como criador do gênero. Eu incluso. Mas claro, o resto da banda também merece uma salva de palmas pelo trabalho: Michael Weikath, o segundo guitarrista, que na época era tão criativo quanto o próprio Kai Hansen e hoje em dia é só um saco de pele e ossos com atitude e cabelo bonito. Foi também ele quem fez a ideia pra capa do disco, que pra mim é tão feia que dá a volta na razão e vira legal. O grandioso Markus Grosskopf nas quatro cordas também faz um trabalho vital nesse álbum. É incrível como você consegue escutar tranquilamente o baixo nesse disco, e é melhor ainda quando o baixo é extremamente cativante e bem tocado. Como alguém que finge que sabe tocar baixo, o Markus é uma grande inspiração pra mim. Sem contar que o cara é gigantesco. E por fim, o eterno Ingo Schwichtenberg (esse daí eu tive que copiar o sobrenome do Wikipedia porque nem ferrando que eu aprendo a escrever isso), que já se foi a muito tempo mas sempre estará nos corações dos fãs. O cara é um monstro, existem poucos bateristas com a energia dele, e a perda de um cara tão talentoso assim é bem triste.

Esses quatro elementos compõem uma das obras primas da década de oitenta. Ride the Sky é o hino definitivo do power metal, é impossível ouvir essa sem querer banguear, fazer guitarrinha aérea, sair chutando tudo em volta… Adoro essas emoções que só o metal consegue trazer. Phantoms of Death, Guardians, Heavy Metal (Is The Law) e How Many Tears são só alguns outros clássicos que saem desse cd. Disco recomendadíssimo pra se ouvir enquanto limpa a casa, dá um gás desgraçado, principalmente se você cantar junto bem alto.

Escolher um álbum do Stratovarius é sempre uma tarefa hercúlea pra mim. Eu gosto tanto do Visions quanto gosto do Infinite, quanto gosto do Episode quanto gosto do Elements pt.1. Sabe aquele amor de mãe que é igual pra todos os filhos? Mais ou menos por aí. Mas eu acabei escolhendo o Visions por ser o único da banda que eu tenho original em casa.

O que eu falei sobre o Helloween e o Walls of Jericho agora pouco vale totalmente pra esse aqui também, porém na década de 90. O power metal já estava estabelecido e várias bandas grandes do gênero já tinham se consolidado, porém quando o Stratovarius lançou o Episode foi uma porrada tão grande que foi impossível não ter se tornado referência. A quantidade de bandas que surgiram então com uma temática parecida, um power metal com muito espaço pra teclados e solos absurdos, não foi pouca. Inclusive o Children of Bodom era chamado de “o Stratovarius do Diabo” por algumas pessoas, pois as duas bandas tinham teclados extremamente desenvolvidos em suas músicas. Mas, embora tenha estourado com o Episode, pessoalmente eu acho que foi com o Visions que a fórmula se consolidou. Tirando Kiss of Judas, não tem uma música nesse disco que eu ache ruim. Eu não sei, tem algo nessa música que me faz pular ela sempre que possível. E Black Diamond, provavelmente a música mais icônica da banda, estreia nesse álbum também. Curiosamente, é um álbum conceitual sobre Nostradamus. Eu não sei o que Nostradamus tem a ver com as músicas, mas imagino que ele era um cara que curtia muito speed metal. Forever Free, Legions e Paradise são outras músicas que eu gosto muito. A faixa-título, Visions (Southern Cross), alcança incríveis 10 minutos, algo que se não me engano era inédito na banda até então. A instrumental Holy Light podia gerar uma lista “Músicas que o Tolkki fez só pra pagar de deus da guitarra”, mas com todo respeito, claro.

Uma curiosidade que não faz diferença alguma, mas tem muita gente que conheceu Stratovarius por conta de AMVs de Dragon Ball. Dá uma olhada no Youtube, em algumas músicas os comentários são só “Nossa, finalmente achei aquela música daquele AMV de Dragon Ball!”. Uma que eu tenho certeza disso é a Destiny. Ah, AMV é a sigla para “Anime Music Video”, caso você não saiba. Eu acabei conhecendo a banda porque, como eu disse, ela é uma das maiores dentro do power metal, mas pensar que tem gente que conheceu por conta de vídeos de fãs de Dragon Ball é no mínimo cômico. Não que eu tenha algo contra isso, afinal de contas, quanto mais pessoas escutando essa maravilha, melhor.

E falando em conhecer bandas de maneiras esquisitas, que exemplo melhor pra isso do que o bom e velho Dragonforce? Você sabe qual é a história, no auge de popularidade da série Guitar Hero, com Guitar Hero 3, só se falava de Through The Fire And The Flames e o quão impossível era de tocar ela no expert ou até mesmo numa guitarra de verdade. Acho que nunca antes ou depois uma banda teve um marketing tão absurdo com algo tão trivial. E eu fui um desses caras que começou a ouvir a banda por causa do jogo. Mas, como eu tenho que ser fresco e pagar de truzão, enquanto todo mundo continuava espremendo TTFATF até a completa exaustão, eu decidi ir atrás de escutar tudo que a banda tinha lançado. Foi a primeira banda que eu me interessei em fazer isso, inclusive.

Aqueles eram outros tempos, e enquanto hoje se você quer dar uma olhada na discografia de uma banda basta abrir o Spotify ou fazer uma breve pesquisa no Google, eu tive que baixar música por música no Ares (que era tipo um Emule/Shareaza da época [Lembra desses dois softwares? Caralho, lembranças…]), lendo a lista de músicas deles no Cifra Club. Isso causou algumas confusões, como músicas vindo incompletas, com nomes trocados, ou até versões diferentes. Até hoje eu não consigo escutar Black Winter Night “final”, pois me acostumei demais com a demo dela que é completamente diferente. Mas foi assim que eu conheci o Dragonforce, e principalmente o Valley of the Damned, meu disco favorito da banda.

Pegue qualquer disco deles fora esse, e o que você vai ter é um power metal extremamente rápido e complexo, com músicas em tom bem alegre e que exalam coragem e vitória. Mas o Valley of the Damned é diferente deles. Ele é mais lento, não tanto quanto o The Power Within, mas ainda assim é um dos mais lentos da banda, e também tem um tom bem sombrio e frio. Imagino que isso seja influência do passado dos guitarristas, Herman Li e Sam Totman, que antes de fundar o DragonHeart (que depois virou DragonForce) tinham uma banda de black metal. Esse tom mais “pra baixo” do disco é muito legal pra mim. Eu só consigo pensar em um álbum de power com um tom parecido, e já já eu vou falar dele. Mas mesmo que o tom seja diferente, a estrutura da banda ainda tá toda aqui: músicas rápidas, um breakdown que resulta em um solo maneirasso, muitos teclados, letras bem fantasiosas, e o canto característico do ZP Theart que divide opiniões entre os fãs. Black Fire é a primeira música do disco que eu me recordo de ter escutado, e uma das primeiras que eu baixei também. Black Winter Night até hoje é minha música favorita da banda, mas como eu já falei, a versão da demo do DragonHeart é infinitamente melhor que a versão final. Ela é mais triste, mais lenta, tem menos firulas e o solo é melhor. Se você não conhece essa versão, dá uma olhada, vale muito a pena. Se eu pudesse pagar eles pra eles nunca mais tocarem a versão final ao vivo e tocar essa no lugar, eu pagaria com um sorriso no rosto. Inclusive estou ouvindo ela aqui e cantando junto enquanto escrevo.

Parando pra pensar, fazem 10 anos já que eu escuto Dragonforce. Caraca, como o tempo voa. Eu consigo lembrar certinho da tela do Ares baixando as músicas a 20kbps. E mesmo 10 anos depois, eu continuo gostando muito da banda, mesmo com essa galera chata pra caralho falando um monte de besteiras sem fundamento sobre ela. Sabe aquela história de que “eles não sabem tocar ao vivo”? Bem, sim, eles tiveram uma fase com shows muito ruins, se não me engano na turnê do Ultra Beatdown, mas tanto antes quanto depois eles sempre executam muito bem suas músicas ao vivo. Exemplos disso na internet não faltam, basta você procurar. Claro, eles não tocam 100% igual ao material de estúdio, mas cara, se eu ganhasse um real pra cada banda que não toca igual no estúdio eu teria vários reais. Na real, pra mim isso é muito choro de metido a truzão que não gosta da banda justamente por ela ter feito sucesso por causa do Guitar Hero. Tem gente que considera isso algo ruim, por algum motivo que não entra na minha cabeça. Teve tantas bandas que eu conheci por causa do jogo e que eu escuto pra caralho até hoje que eu não conseguiria nem listar todas aqui. Se o problema forem os “fãs de uma música só”, deixa os caras. Se eles não tem o empenho de ir atrás do resto do material, pior pra eles. Bem, essa parte do Valley tá ficando muito grande, bora pular pro próximo.

Ah, esse álbum… São poucas as palavras que conseguem definir o quão bom isso é. Quando eu me referi a um álbum mais sombrio de power metal, era dele que eu estava falando.

Assim como é visível a diferença de tom comparando o Valley of the Damned com os outros discos do DF, comparar o Silence com os outros discos do Sonata a diferença é tão visível quanto dia e noite. Eu conheci a banda graças a uma colega que sabia que eu gostava de música assim. Mas ela me apresentou a banda de um péssimo jeito: com o cover de I Still Love You do Scorpions que eles fizeram. Eu imaginei “Nah, o resto das músicas deve ser assim então”, e que ledo engano. Meses depois eu fui escutar alguma coisa deles só por escutar e eu fiquei tão puto de não ter escutado quando indicado que eu jurei nunca mais fazer isso com outras bandas.

E o Silence acabou sendo meu disco favorito. Digo, novamente eu divido amor de mãe entre ele e o Reckoning Night, muito mais do que com os do Stratovarius até. Os quatro primeiros discos do Sonata são todos excelentes, mas esses dois estão num nível que poucas bandas chegam. Mas eu escolhi falar do Silence aqui justamente por ele ser mais sombrio que os outros trabalhos da banda. Dói meu coração não poder falar do Reckoning também, mas seria muita sacanagem colocar dois álbuns ao mesmo tempo.

E sei lá, honestamente, quanto mais eu penso no que falar sobre esse disco, mais triste eu fico, porque eu só consigo perceber o quão genial a banda era e o quão ruim ela ficou hoje em dia. “Ai, vai chorar só porque eles não são mais power metal?”, cara, pior que eu nem ligo pra bandas que mudam de estilo. Eu gosto pra caralho de fases não muito populares de outras bandas. Mas esses quatro álbuns do Sonata eram grandiosos, eram inspirados, eram ricos em suas composições… O Sonata atual é só um jeito do Tony Kakko reclamar de como o ser humano destrói a natureza e fazer umas músicas meia boca pra acompanhar isso.

Eu posso tranquilamente citar todas as músicas do Silence aqui. Todas são ótimas, inclusive as baladinhas mela-cueca. San Sebastian e Wolf and Raven são tão boas que dá vontade de bater em alguém. Eu também não entendi isso, mas é verdade. Weballergy é uma das melhores aberturas do power pra mim. Black Sheep tem um solo de guitarra e de teclado incrível. Land of the Free tem aquela parte com o teclado e pessoas gritando HEY que deve ser a melhor sensação do mundo de ver ao vivo. E a The Power of One é tão boa e tem uma letra com um tema tão interessante, que me deixa extremamente puto por não ter mais esse tipo de coisa na banda. Em compensação, temos uma música que o Tony Kakko repete “Heaven” umas 900 vezes e tem um instrumental sem inspiração nenhuma. É triste.

Você não precisa concordar comigo nisso, você pode curtir os trabalhos pós-Jani do Sonata. Mas no fim, você ainda vai estar errado. O pior é que o Jani montou uma banda com o Timo Kotipelto do Stratovarius que não tem nada a ver com o antigo Sonata, e mesmo assim consegue ser melhor que o Sonata atual.

Minha única reclamação com esse álbum é o encarte. A porcaria da fonte e a cor dela se mistura com as fotos do fundo, e tem palavras das letras das músicas que eu não consigo ler. Não sei se isso é porque minha versão do álbum é a brasileira, mas é triste eu ter que forçar a vista pra entender o que tá escrito algumas vezes.

Porra, como falar de power metal sem falar da cena japonesa? Parece que o gênero foi feito pra eles: fala de dragões e fadinhas, é técnico e extremamente clichê, assim como quase tudo feito no Japão. Daria pra citar várias bandas aqui, mas eu escolhi o Galneryus por ser uma das maiores bandas japonesas atualmente, e por ela ser mais “objetiva” em questão de power metal. Desculpa, X-Japan, mas hoje não é seu dia. Você é progressivo demais pra essa lista.

E que disco melhor do Galneryus pra indicar do que o magnum-opus deles, Angel of Salvation? Esse disco é simplesmente sensacional. Um amigo meu já chamou ele de “O Temple of Shadows japonês”, e é uma comparação válida e justa. O maior hit da banda, Destiny, infelizmente não é desse disco, mas isso não diminui ele de forma alguma. The Promised Flag, Infinity, Stand Up For The Right, Temptation Through The Night… Caralho que disco foda. Faz um tempinho que eu não escuto inclusive. Talvez escute ele inteiro quando eu acabar isso daqui.

Mas acho que as duas pérolas desse álbum são Hunting For Your Dream e a faixa título Angel of Salvation. A primeira já é uma música sensacional por si só, mas não bastasse isso ela ainda é a música de encerramento do melhor arco do anime de Hunter X Hunter (aquele remake de 2011). Parece que essa música foi feita exatamente pra essa função. A forma como a intro dela encaixa no final dos episódios, dando um tom épico pros cliffhangers no final, te colocando no clima perfeito pra ir pro próximo episódio, e a música combina muito com o tom de aventura do anime. Se você não conhece Hunter X Hunter, recomendo dar uma olhada no remake, esse é um dos clássicos dos anos 90 na Shounen Jump, e é uma obra conceituada até hoje.

E claro, a medalha de ouro fica com Angel of Salvation. 15 minutos de puro “ouvidorgasmo”. Essa música pode ser facilmente considerada uma das melhores não só do metal sinfônico como do power metal em geral. Acho que nada que eu disser aqui vai fazer verdadeiro jus a ela. Se você não conhece, vá escutar. Se já conhece, vá escutar de novo. De qualquer forma, você não vai se arrepender.

Inclusive, penso em fazer um outro texto futuramente comentando sobre as bandas japonesas que eu conheço. Infelizmente, muita coisa que faz sucesso lá é pouco divulgado aqui, muito pela barreira cultural, muito pelo preconceito que eu noto em muitos bangers com metal japonês em geral, como se tudo fosse ser Babymetal ou algo do tipo. Já houve tempos em que eu gostava mais de conhecer bandas japonesas do que de conhecer bandas ocidentais, de tão boas que elas acabavam sendo. Quem sabe assim eu não apresento algumas coisas interessantes pra alguém?

Bem, se eu falei de metal japonês, é óbvio que eu ia falar de metal brasileiro. Puta que pariu como eu amo o que o meu país faz musicalmente. Você pode vir com “ah mas o mainstream nacional é uma bosta e mimimi”, mas se você se preocupa só com o que tá por cima, e não com o que você pode encontrar dentro, você é um grandissíssimo filho de uma puta. Desculpa, mas é o que eu acho.

O que eu vejo de gente chorando que “música brasileira não é boa”, que “música brasileira é tudo ruim aff”, que “música brasileira é só sertanejo e funk só putaria”, é de doer o coração. Você obviamente nota que é um pessoal que não tem a minima intenção de procurar saber o que fala antes de falar. E eu nem digo isso só pelo rock/metal. Eu adoro sertanejo dos anos 80/90, adoro vanerão e música gauchesca, a música eletrônica daqui no começo dos anos 2000 é sensacional, e eu tenho um peculiar gosto por funk melody/proibidão e por pop nacional do começo do milênio. Eu escuto Rouge até hoje, e sem nenhuma forma de ironia nisso.

Mas mesmo dentro do metal, o nosso querido Brasilzão faz muito bem o seu trabalho. Não a toa somos o país que mais exporta bandas de power metal na América. Vamos lá, me diz quantas bandas do gênero você conhece de outros países, até mesmo Estados Unidos e Canadá? Só no Brasil eu consigo citar umas 10 sem nem fazer esforço. E obviamente o maior expoente do gênero para nós é o Angra. E o primeiro álbum deles, o Angels Cry, é também o primeiro estopim deles.

Meu disco favorito da banda é o Temple of Shadows. Na verdade, esse disco é um dos meus favoritos entre todos os discos da vida. Mas, como ele tem uma veia muito progressiva, eu acabei descartando ele dessa lista. Em segundo vem o Holy Land, mas esse é tão folk que também destoaria um pouco dos outros discos. Aí eu resolvi escolher o Angels Cry porque ele é mais direto ao ponto. Não que isso diminua a qualidade dele, é um disco sensacional até hoje e provavelmente vai ser pra sempre. Carry On é um clássico instantâneo e eternamente o hino do metal nacional. É um álbum que exala tanta originalidade, que influenciou tantas outras bandas, que seria um crime eu não citar ele aqui. Da época que o André Matos era ele, e não um cover dele mesmo. Interprete isso da forma que você quiser.

Inclusive, muitos fãs de Angra discutem pra ver qual é o melhor vocalista que a banda já teve. Eu discuto pra entender porque eles não calam a boca e apreciam a maldita música. Pode cantar até a Vera Verão na banda, enquanto a música for boa, eu vou gostar do mesmo jeito. O pessoal meio que transforma a coisa em clubismo de time de futebol.

Além de Carry On e a faixa título, Evil Warning e Time figuram entre as mais lembradas do pessoal. Never Understand é muito boa também, um pouco mais leve que o resto do álbum. Stand Away é a baladinha mela cueca obrigatória. Streets of Tomorrow tem um solo sensacional demais pra uma música que nem a banda deve lembrar que existe. E claro, como esquecer do cover de Wuthering Heights, da Kate Bush? Rixcliff, it’s me. Essa música por algum motivo me é muito engraçada. Já mostrei ela pra amigos que não curtem metal e eles me perguntaram porque o cantor tem uma voz mais feminina que uma mulher. Eu não sei dizer se isso é bom ou ruim. Mas a coragem de uma banda que se vende para um público metido a trevoso e diferentão em colocar uma música dessas em seu disco é venerável.

Esse daqui é outro highlight na história do power metal. Rhapsody (of Fire) é uma das bandas responsáveis pelo gênero parecer tanto um livro de Dungeons And Dragons em áudio. Sério, olha essa capa. Isso daria tranquilamente uma carta de Magic. Todas as capas do Rhapsody parecem que foram tiradas de algum jogo ou livro de rpg. E eu acho isso sensacional.

Assim como o Angra, o Rhapsody foi responsável por erguer uma estrutura para a cena do metal na Itália. Curiosamente, o vocalista clássico da banda, Fabio Lione, hoje assume os microfones do Angra. Quem diria, né?

Imagino que todos os reis, terras e montanhas concordem que Emerald Sword é uma das músicas mais clichês e mais clássicas do power metal. Que atire a primeira pedra quem nunca cantou o refrão dela se imaginando numa batalha fantástica entre vários guerreiros, magos, monstros e dragões. Com uma espada verde na mão, claro. Wisdom of the Kings, Wings of Destiny, Eternal Glory, Riding The Winds of Eternity e a épica de 13 minutos Symphony of Enchanted Lands são clássicas da banda até hoje. E é aqui que eu preciso comentar sobre a maior falha do power metal: ser clichê demais. E o Rhapsody foi uma das bandas que mais sofreu com isso.

Muita gente alega que hoje o gênero está saturado, preso em seu próprio tempo, em seus próprios trejeitos. Músicas épicas, muita influência sinfônica, temas fantasiosos… Muito do que eu citei durante essa lista inteira. Isso, com o passar dos anos, desgasta não só uma banda, mas o gênero como um todo. A maioria das bandas de power metal ou vão ser na pegada do Rhapsody, ou na pegada do Stratovarius, ou na pegada do Helloween. E como tem MUITAS bandas que tentam ser power metal, os próprios músicos acabam afundando a cena. Um dos motivos de eu gostar de conhecer bandas não-européias de Power Metal é que muitas delas sempre tentam adicionar algo ao gênero, ou subtrair alguma coisa e substituir por algo de outro gênero. Tanto que muitas das melhores bandas hoje foram pra um lado mais progressivo, para sair um pouco do comum. Eu gosto de todos esses clichês do power metal, mas mesmo pra mim, algumas vezes é difícil escutar uma banda nova porque eu sei que vai ser só mais um grupo de caras tentando ser igual aos ídolos deles ao invés de tentar trazer algo pessoal pra música deles. Nisso, o gênero é composto hoje de bandas clássicas que ainda estão na ativa e bandas mais recentes que tentam dar um sopro de novidade nessa música de nerd cabeludo, mas que as vezes acabam fazendo sucesso só em seu território. É uma situação triste e que eu adoraria que aparecesse um grupo mágico que trouxesse uma nova era pro power metal, mas acho difícil isso acontecer. Mas voltando a falar de coisa boa…

Seria uma pena se o Kai Hansen tivesse simplesmente deixado o Helloween e tivesse se aposentado. Graças a deus não foi o caso. Não bastasse ele ter feito uma banda boa, ele sai dela pra fazer outra banda boa. Gamma Ray é tudo que eu queria que o Helloween ainda fosse: bom. E acho que o Land Of The Free é o maior exemplo do quanto ele fez falta pra banda.

É um hit clássico atrás do outro. Parece uma metralhadora de boas músicas. E mesmo que o Kai Hansen não seja o melhor dos vocalistas, a voz dele é tão icônica que eu fico feliz em ouvir ela. Nada de firula pra ficar mostrando o quão foda é a voz dele, ele canta com vontade e emoção. As músicas são bem agitadas, metal em sua plena forma, mas com aquele tempero de power metal que só o Kai Hansen consegue fazer. É incrível como um disco que é mais velho do que eu consegue soar tão moderno até hoje.

Comentar mais sobre esse álbum é meio desnecessário. Todas as músicas valem a pena, até mesmo a Afterlife, que eu não gosto. Se você ainda não escutou isso, não seja burro, vá escutar. Vai ser uma das melhores decisões da sua vida.

Sim, eu pago muito pau pro Kai Hansen.

Lembra que eu falei que muitas bandas mais recentes de power metal eram só um copiar e colar de bandas mais clássicas? Não é o caso do Sabaton.

Eles simplesmente falam de guerras. Esse é o motor de, sei lá, 99% das músicas deles. E a sonoridade da banda tem bastante influência disso, como músicas em tom de marcha. Porra, os caras tem até um álbum inteiro conceitualizado no Sun Tzu. A banda é sensacional, eu poderia ter escolhido qualquer disco deles. Mas obviamente escolhi o Heroes por causa da Smoking Snakes, música que fala sobre a história de três guerreiros brasileiros na Segunda Guerra Mundial que se recusaram a abaixar as armas até o fim, mesmo cercados pelo inimigo. Uma tremenda aula de história pra quem é condicionado a pensar que o Brasil não fez nada na Segunda Guerra. E aparentemente a banda também ama o Brasil, então é uma situação de vitória pros dois lados.

E todas as músicas do Heroes são sobre histórias heroicas de guerra, por isso o nome. A abertura, Night Witches, fala de um esquadrão feminino soviete de bombardeiros. To Hell and Back fala sobre Audie Murphy, um dos soldados com mais condecorações na Segunda Guerra. Resist and Bite sobre a infantaria belga que lutou na Batalha da Bélgica. Hearts of Iron, sobre dois grupos alemães que, sendo derrotados pelos sovietes, fizeram uma passagem para civis refugiados e soldados rendidos fugirem. Isso são só alguns exemplos. Um prato cheio pra quem gosta de conhecer mais sobre histórias da Segunda Guerra. Não só isso, como também são músicas muito boas, como é típico do Sabaton.

E por último, mas não menos importante, o bom e velho Blind Guardian.

Você acha mesmo que eu ia esquecer do meu bebezinho? Essa é mais uma banda que seria válido recomendar qualquer álbum, mas esse em especial é uma viagem sem igual (ih rimou). Os álbuns anteriores do Blind eram muito focados no speed metal, mas esse daqui deu uma freada bonita na maioria das músicas. Mas isso deu a ele um toque único, que moldaria um pouco como a banda faria suas músicas daqui pra frente, com um foco maior na composição como um todo, em músicas cheias de camadas, refrões com coros enormes e riffs menos “thrash” e mais melódicos. Quando eu digo que nenhuma música daqui não merece ser citada, eu estou sendo honesto. Acho que a maior característica do Blind é criar refrões cativantes, que vão ficar na sua cabeça por dias até você decorá-los, e quando decorar vai querer continuar cantando. Os temas das letras também são ótimos, como de praxe para a banda. Script For My Requiem conta sobre um guerreiro das Cruzadas em busca de redenção. A Past And Future Secret é baseada no livro O Único E Eterno Rei. E a faixa título, Imaginations From The Other Side, tem várias referências a fantasia, como Peter Pan, O Mágico De Oz, As Crônicas de Narnia e outros tantos.

É um disco feito com tanto carinho e atenção aos detalhes, que você pode ouvir ele varias vezes e vai encontrar coisas novas que não tinha reparado antes. É um ótimo disco pra ouvir quando você pode focar atenção total a ele. Ou a qualquer hora do dia. Sempre é uma boa hora pra se ouvir Blind Guardian.

Bem, acho que fiz uma boa lista. Talvez meus comentários não tenham sido os mais perspicazes, afinal não sou nenhum crítico musical e nem tenho calibre para isso, eu sou só um cara que gosta muito do que ouve. Acredito que todos esses álbuns, com a exceção do Imaginations, tem nos Spotify da vida pra você escutar. Então não tem desculpas pra você não escutar. Coloca a sua armadura mais forte, pegue a sua espada mais afiada, monta no seu Wyvern e embarca nessa aventura pelo grandioso power metal, o gênero mais poderoso de todos. Claro que eu tinha que encerrar esse texto com uma frase bem clichê. É power metal, afinal.

Enquanto isso, eu vou tentar dormir direito. Até uma próxima.

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