Moe e Tecnologia

Há alguns anos que a internet “descobriu” certas diferenças no entretenimento asiático, especialmente o japonês. Programas de tv, jogos de video-game, animes, mangás.

Se você tentar puxar pela memória com certeza deve ter ouvido falar sobre SAL9000, ou ao menos lembrar da notícia que um cidadão japonês se casou com um personagem de um jogo, Nene Anegasaki de Love Plus (e sim, SAL9000 é o nome do rapaz alterado oficialmente).

Nene Anegasaki e SAL9000
A esposa Nene Anegasaki e SAL9000

Se você é leigo no assunto no que diz respeito a animes e mangás provavelmente deve ao menos conhecer títulos mais famosos como Saint Seiya (Cavaleiros do Zodíaco aqui no Brasil) ou Dragon Ball, porém deve imaginar que o mercado nesse ramo no Japão é gigantesco e que o mercado japonês chega a movimentar milhões de ienes nessa indústria porém o que muitos não sabem é que existem alguns nichos de mercado e o rapaz SAL9000 é uma fatia desse consumo específico no Japão que é denominado “Moe”.

Moe

YuruYuri
Anime considerado Moe: Yuru Yuri (ゆるゆり)

Há alguns anos que o mercado japonês está seguindo uma tendência chamada de “moe” (pronuncia-se “moê”) do qual o conceito é “sentir uma emoção / empatia / adoração / devoção para com um personagem de anime / mangá / jogo”. Pode ser comparado à expressão ocidental sobre algo “ser fofo”, porém no Japão tem um movimento muito mais forte entre o público masculino para com personagens femininas com um ar levemente infantil em uma idade teen.

O Moe tem um público cativo nas camadas mais adultas de consumidores, que inclusive se tornou uma das fontes que movimentam muito dinheiro em estúdios de animação. Vale lembrar, ou até mesmo informar os leigos e/ou desavisados, que o padrão de beleza japonês é bem diferente do ocidental. O que normalmente o apelo feminino no ocidente é constituído de mulheres voluptuosas, no Japão é considerado atraente mulheres com um ar mais delicado, o que explica o sucesso do Moe nessas terras.

Claro que há muita discussão em torno desse padrão de beleza mas, fica esse assunto pra um outro artigo.

Shukan AKB
Grupo musical Shukan AKB

Tecnologia

Anime: K-ON
Anime: K-ON

A tendência, dizem algumas fontes, que se originou / evidenciou de Hotaru Tomoe de Sailor Moon ou Moe Sagisawa do anime Kyoryu Wakusei, porém ganhou bastante força em meados de 2007 com o surgimento de animes do gênero “slice of life”, que nada mais nada menos é um anime que não tem grandes heróis, dramas ou ficção científica… trata-se apenas do cotidiano dos personagens e a vivência entre eles.

Na onda dos slice of life surgiu uma nova personagem Vocaloid com ares de Moe também na mesma época. Hatsune Miku, um banco de voz desenvolvido pela empresa Crypton Future Media e utilizando a engine Vocaloid, software sintetizador de voz, que inicialmente foi um projeto entre a Universidade Pompeu Fabra, da Espanha e a Yamaha.

A representação 3D de Hatsune Miku fez tanto sucesso no Japão que rapidamente se tornou uma Virtual Idol tendo jogos e até uma apresentação holográfica no palco físico.

A característica Moe atraiu tantos fãs que além da tecnologia sintetizadora de voz Vocaloid que usuários do site NicoNicoDouga (um site de publicações de vídeos japonês) começaram a produzir vídeos de Hatsune Miku, porém era difícil a produção por conta da linha de aprendizado em animação 3D ser um pouco complicada além das várias ferramentas e técnicas que podem ser utilizadas.

Por conta dessa dificuldade Yu Higuchi desenvolveu um software que originalmente permitia fazer animações com um modelo já pronto de Hatsune Miku com uma interface bem mais amigável, o MikuMikuDance. O software não sofre nenhuma interferência de empresa e foi lançado inclusive como Freeware com o intuito de que mais pessoas pudessem fazer animações com Miku.

A repercussão da comunidade de Miku foi grande e a produção de vídeos com o software só aumentou gerando mais atualizações por parte de Higuchi, porém não para por aí. Nas primeiras versões só Hatsune poderia ser animada porém com as implementações os usuários poderiam criar suas próprias models em softwares de modelagem 3D e importar para o MMD. No vídeo abaixo há o trabalho de modelagem, animação, sincronização labial (inclusive o movimentação dos lábios de acordo com as sílabas da música) e o movimento de câmera com os personagens do anime K-ON.

Outros desenvolvedores aproveitaram o lançamento do aparelho Kinect para o video game Xbox 360 para lançar um add-on de captura de movimentos corporais para animação dentro de MikuMikuDance, o MikuMikuCapture.

Polêmica

Só por estes fatos já se pode ter uma percepção de que há um engajamento muito grande por trás do Moe e há uma infinidade de tecnologias desenvolvidas entre a comunidade consumidora de material Moe que muitas vezes é vista com preconceito e escárnio por parte do Ocidente.

Além disso há uma discussão muito grande por parte de fãs e até mesmo profissionais (como Hayao Miyazaki) da área em que dizem que a tendência do Moe tem enfraquecido o surgimento de obras mais bem elaboradas em decorrência dessa devoção de personagens consideradas “vazias” (e até mesmo usando um apelo sexual) uma quantidade muito maior desse gênero no mercado atualmente fazendo com que ofusque as obras que mereceriam destaque.

O que você acha desses fatos? Toda as formas de expressão, desenvolvimento de tecnologia e até mesmo produção de conteúdo a partir do Moe são invalidadas pela questão levantada pelos fãs “sérios” de anime / mangá? E você? Como reage a isso?

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