This story is unavailable.

Eu tive a máxima honra de prestigiar o falecido poeta, não em Pessoa, mas em pessoa, na universidade onde estudo.

Duas falas (parafraseadas) de Ferreira — que naquele momento acredito ter sido mais José Ribamar — que tenho plena certeza de me acompanharem ao longo da devoção que me sobrar às folhas níveas foram:

“O poema vem do espanto e do acaso. Primeiro vem o espanto e a partir daí o acaso. Acaso porque a folha branca permite tudo, mas no instante em que se escreve o primeiro verso as probabilidades do acaso começam a se limitar. Com o segundo verso, o acaso se torna ainda mais restrito. Assim, conforme se escreve, chegamos em um determinado momento em que nada entra no poema que o poema não aceite.”

“Uma menina chegou até mim e me perguntou ‘o senhor é o poeta Ferreira Gullar?’, e eu disse: ‘Às vezes’.”

O Poema Sujo e Não Há Vagas são os dois poemas de Ferreira que carrego comigo no peito. O Poema Sujo me perverteu todas as ideias que tinha a respeito da poesia. Não Há Vagas me consolidou a ideia de que há o que há de ser dito e que arte permite beleza sem embelezar.

Like what you read? Give Täkwila a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.