Sobre o Impeachment, “Democracia” e a Necessária “Revolução”

Na real, eu já não sei mais, mas tô pra acreditar que estou alcançando o zênite do meu niilismo político — ao menos no que diz respeito à falácia da democracia já que governos unilaterais e autoritários ao menos são factíveis. Eu tô aqui cogitando se pego um balde de pipoca ou se só assisto essa lona de circo queimando até cair no sono (que tá vindo rápido).
Contudo, eu acho importante aqui exercer um ato de altruísmo cívico e estourar a bolha de uma galera que vejo por aí, isso porque eu acho que acreditar em Papai Noel é algo válido, e muito bonito, contanto que não se deixe a conta de dezembro sem pagar porque acredita-se que Papai Noel vai fazê-lo por você.

Não vai haver revolução.

Sim, isso mesmo.

Segundo pesquisa realizada pelo jornal Estadão no ano de 2014, na época, 68% da população brasileira se situava no que são chamadas classes C, D e E. O que isso comprova é o que todo mundo que olha pela janela de vez em quando já sabe: existem mais pobres do que ricos. E no que isso acarreta? Isso acarreta numa alienação das partes, no esmorecimento de um possível ideal comunitário, tudo em vista do intransponível estranhamento que ocorre entre classes sociais mais favorecidas e classes sociais menos favorecidas. Não existe revolução quando apenas um lado do que se considera “povo” está perdendo, e isso é algo que os “desconstruídos” nitidamente têm problema em aceitar.

Mas, pera, quer dizer então que o Brasil não é de ninguém? De forma alguma, o Brasil é da minoria que goza dos privilégios. Por conta disso, e somente disso, que a porca rebelião deles e delas funciona. Alguns panelaços, algumas passeatas por Copacabana, alguns “atores” “globais” e, bingo! Temos uma ex-presidente. 
Enquanto isso, os mais pobres ficam a esmo. Isso por conta da combinação de uma consciência de que nada se pode fazer e de uma necessidade de seguir a própria rotina para manter o que dá pra salvar através das já adversas condições que se passam diariamente. Alguém lembra de Rafael Braga? Pois é, ele é o exemplo-mor do que pode acometer a cidadã e/ou o cidadão comum que ousa insurgir. O pobre não pode se dar ao luxo da rebelião, é prejudicial à saúde.

Nossa nação é uma nação prostrada desde sua fundação. Nossa independência foi declarada pelos nossos colonizadores, nossa república foi proclamada por um monarca e nós como povo nunca tivemos um objetivo em comum — coisa vigente até hoje. Nunca pegamos em armas e não é hoje que vamos pegar nem vai ser amanhã que eu, um morador da Baixada Fluminense, vou morrer, ser ferido ou mesmo tomar um beliscão em prol dos interesses de um morador sequer do Leblon. Não vai rolar, e é uma via de duas mãos então paremos de nos enganar.

Para servir de lembrete ainda maior aos constituintes dos 68% supracitados, e servindo também de informação àqueles que ainda acreditam na arbitrariedade dos últimos acontecimentos, além de todos os cortes feitos em programas direcionados a esses 68% no governo precocemente vigente, essa estimativa, na época da pesquisa, representava um aumento em relação aos 63% de uma estratificação antigamente apurada. Nesse mesmo agregado anterior, havia-se constatado que era de 37% a fatia relativa aos ricos. Em contrapartida, nessa última pesquisa que data de 2014 (a mesma dos 68%), o número dos espólios da elite havia sido reduzido para 32%. 
Não é por acaso. Para esses 32% o Brasil realmente não está indo para frente. Para esses 32% o nosso desenvolvimento econômico está de fato em derrocada. Não é mentira, é a mais pura verdade. É só uma verdade um tanto quanto relativa pra caralho em função de a quem se pergunta.

A “revolução” não passa de um privilégio. É uma quimera daqueles que têm certa condição para vislumbrarem tal coisa. Em verdade, ela não vai acontecer. Não importa quantas capas de Facebook sejam alteradas, não importa quantos textos tão longos quanto este meu sejam postados, não importa nem se você se importa. Essa organização não vai acontecer. Nosso diálogo, nossas contas, nossos problemas simplesmente não batem.

E aproveitem e cessem com o deslumbre com a democracia, também. Já é hora. Se todo esse processo não foi motivo suficiente, cabe salientar aqui que não existe super-heroína ou super-herói. Feghali, Wyllys, Freixo, Alencar, Lula, Temer, Bolsonaro, Malluf, Imperador Palpatine, são todos políticos. Bote isso no consciente e tire do imaginário. Antes deles e delas, sendo de direita ou esquerda, fascista ou esquerdozóide, defenderem uma pauta qualquer, desde o impeachment ao assassínio deliberado de crianças indígenas, eles e elas já terão se certificado por A+B que o pleito em voga beneficia suas agendas. Aposentem a fé na moralidade junto com o cheque sem fundos da democracia.

Vamos parar de sonhar porque dá forte fadiga de ver e ouvir.