7 mitos sobre assexualidade

Li um texto excelente no Everyday Feminist e decidi traduzir uma parte dele porque tem a ver com o modo como podemos pensar sobre como nossa sexualidade é construída culturamente.

Se tu sabe ler inglês, recomendo que vá ao post original: 7 Sex Myths I Had to Unlearn When I Realized I Was Asexual.

Os subtítulos trazem os mitos, ou seja, as ideias erradas que muitas vezes nos impedem de entender a assexualidade. Daqui em diante, o texto é uma tradução.

A bandeira assexual

1. Orientação sexual é preto e branco

No que diz respeito à orientação sexual, há fluidez, áreas cinzas e espectros. Mesmo a assexualidade tem um espectro próprio.

2. A atração sexual é a única forma de atração que importa

Quando as pessoas falam sobre quem as atrai, geralmente falam em termos de atração sexual. Entretanto, há outros tipos de atração (sexual, romântica, sensual, estética, platônica, etc [link em inglês para artigo sobre diversas orientações e orientações cruzadas]) e compreendê-los nos ajuda a entender melhor a assexualidade.

Atração sexual é importante para algumas pessoas, mas não para todas. Muitos assexuais não a experimentam.

3. Sexo é uma forma obrigatória de intimidade

Assim como atração, as pessoas tendem a parear intimidade com sexo. Com frequência, esquecem que há outras formas de intimidade, incluindo emocional, intelectual, espiritual e sensual. Alguns preferem outros tipos de intimidade, que vem na forma de conversas, afagos ou orações, para nomear alguns. E está tudo bem.

O sexo não precisa ser a forma mais importante de intimidade para todo mundo.

Ninguém deveria se sentir pressionado a fazer sexo. Não por parceiros — nem por crenças sociais.

4. Atração sexual é parte da natureza humana

A ideia de que atração sexual é natural é bem comum, porque a maioria das pessoas experimenta algum tipo de atração sexual.

Entretanto, estima-se que 1% da população mundial não sinta atração sexual.

Pode parecer um número pequeno, mas ele atualmente aponta para cerca de 75 milhões de assexuais.

Temos que lembrar que embora a experiência assexual não seja largamente conhecida, ensinada ou representada, ela ainda é válida.

A verdade é que atração sexual não nos faz humanos. Alguns humanos sentem. Outros, não.

5. Assexualidade é indicador de que algo está errado

Pessoas confundem assexualidade com baixo tesão, impotência e/ou desequilíbrio hormonal, mas não é a mesma coisa. Assexualidade é sobre atração, não condições de saúde.

Não há nada errado em ser assexual. Não importa as circunstâncias, nossas experiências continuam válidas.

6. O sexo determina o meu valor como parceiro em uma relação romântica

Este pode ser o mito mais difícil de desaprender porque está enraizado em outros mitos sobre atração sexual ser parte da natureza humana e assexualidade ser um “problema”.

Para desprender do sexo o nosso valor em um relacionamento, primeiro precisamos aceitar que assexualidade é uma experiência real e normal. Precisamos aceitar que não há nada de errado com a assexualidade e que essa orientação sexual não é um problema.

Então, é necessário lembrar que sexo nunca é obrigatório, mesmo quando nossa sociedade faz parecer que sexo é uma obrigação em um relacionamento romântico.

Uma vez que aceitarmos essas ideias, começamos a entender que nosso valor em um relacionamento pode ir além de estarmos ou não dispostos a fazer sexo com nossos parceiros.

7. Pessoas negras não podem ser assexuais

As noções predominantes sobre sexualidade negra frequentemente pareia a negritude com hipersexualidade.


Desaprender essas mensagens ajuda a entender melhor nossa própria (as)sexualidade e a nos aceitarmos.

Este processo de desaprender por ajudar muitas pessoas de identidades marginalizadas a se libertarem de ideias opressivas sobre si mesmas.

Às vezes o processo de desaprender vem em ondas ou ciclos. Às vezes, exige muito esforço para nos lembrarmos o que é verdadeiro e o que é uma crença falsa (mas comum).

Assim que jogarmos fora os mitos e lembrarmos da verdade, estaremos livres para viver nossas vidas sem culpa.