Como você escolhe tratar as pessoas?

Tales Gubes
Dec 20, 2018 · 2 min read

Um palestrante explicou ao público sobre seu trabalho com pessoas em situação de rua. Uma moça da plateia perguntou: “como você faz para conversar com eles?”. Ele respondeu: “desculpe-me, qual é o seu nome?”. A moça disse o próprio nome. Ele seguiu: “é assim que a gente faz”.

Pessoas são pessoas mesmo que tenham título de médico, mesmo que trabalhem fritando hambúrgueres, mesmo que tenham muito dinheiro na conta bancária.

Fui para uma entrevista de emprego temporário. Cheguei vinte minutos antes do horário marcado, meu entrevistador foi avisado, mas me recebeu com cinquenta minutos de atraso. Quando me perguntou se estava tudo bem, eu disse a ele que estava frustrado pelo tempo de espera. Ele me respondeu que “quando a gente está procurando emprego, tem que entender que as coisas são assim; com algumas pessoas a entrevista dura cinco minutos, com outras pode durar mais”.

Eu discordo.

As coisas só são assim se acreditarmos que alguns tempos valem mais do que outros.

Eu tinha uma amiga que sempre atrasava comigo. Todos os encontros que a gente marcava, pelo menos quinze minutos de atraso. Um dia perguntei por que ela desvalorizava tanto o meu tempo. Eu poderia ter feito muitas coisas naquelas quinze minutos, se soubesse que ficaria parado no ponto de encontro.

O mesmo vale para a entrevista. Se meu possível futuro chefe me deixa cinquenta minutos esperando porque está avaliando outra pessoa e se empolgou na entrevista desse outro candidato, isso me informa muitas coisas. Isso me informa, por exemplo, que a preocupação dele não é com os acordos firmados de horário — pelo menos não enquanto isso não tiver um custo financeiro para a instituição, já que a empresa exige “pontualidade britânica” para não ser penalizada pelo cliente.

Talvez não seja a ação estratégica com melhores resultados (especialmente financeiros) para a minha vida, mas procuro tratar as pessoas da mesma forma. Diretor de empresa, garçom, pessoa desconhecida. Diretor de escola, professor e aluno, trato tudo igual, trato tudo como gente. E isso inclui respeitar tempos e necessidades, bem como fazer cumprir acordos.


Originally published at Tales Gubes.

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