Qual o propósito da reunião?

Os seres humanos se encontram e reúnem por diversas razões. Pode ser para resolver um problema, celebrar uma vitória, enlutar por uma perda, marcar um rito de passagem… Encontros estão na base do que constitui a sociedade humana e já temos formatos tradicionais estabelecidos para a maior parte dos encontros imagináveis.

Casamento. Funeral. Tribunal de justiça. Bar com os amigos. Janta de Natal. Chá de bebê. Reunião de negócios. Evento de networking.

Todos essas reuniões de pessoas já têm seus formatos previamente desenhados e costumam ser replicados pelas pessoas envolvidas.

No livro The art of gathering: how we meet and why it matters, a autora Priya Parker compartilha sua experiência organizando encontros e reuniões. No primeiro capítulo, ela abre com um conselho: “descubra por que você realmente está se encontrando”.

Entre os exemplos, ela cita uma corte de justiça nos Estados Unidos que, preocupada em melhorar a qualidade de vida das pessoas na comunidade local, modificou seus rituais e formatos adversariais para algo mais dialogado e preocupado com a história pessoal de cada um envolvido nos processos criminais.

A escola é um exemplo clássico e já evidente de formato de encontro falido. No passado, seu propósito era transmitir o conhecimento de uns poucos para uns muitos. Hoje, quando se fala em emancipação, desenvolvimento de pensamento crítico e de autonomia, o formato antigo desses encontros de aprendizagem já não funciona, não cumpre o propósito.

Eis então a pergunta: qual é o propósito dessa reunião?

O que Priya Parker sugere é que todo encontro seja intencionalmente planejado e organizado para atender ao seu propósito, em vez de apenas replicar modelos anteriores herdados culturalmente.

É fácil, por exemplo, confundir o propósito de um encontro com o seu formato. Basta pensar em eventos de networking ou de difusão de conhecimento científico: em geral são experiências massantes e que resultam em poucas conexões verdadeiras. Quando pensamos no propósito por trás de um evento como esses, podemos organizar suas estruturas para realizarem e potencializarem esse propósito.

Uma reunião com amigos, por exemplo. O propósito é qual? Apenas reunir os amigos? Se for, então tudo vale, mesa de bar, boate, sala de casa, um parque… Agora, se o propósito for partilhar experiências de vida ou aprender como enfrentar dificuldades atuais, ambientes que não privilegiem conversa e escuta atrapalharão esse propósito.

Mesmo no cotidiano, saber o propósito do que decidimos fazer é fundamental para alcançarmos resultados mais satisfatórios.


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