Stay true to yourself [guest post]

Há alguns meses, tenho acompanhado o Creative Mornings. Na edição de agosto, não pude comparecer e pedi para que Bianca Carvalho, criadora do site Digavando, fosse em meu lugar e escrevesse um registro narrativo. O texto que segue é a contribuição dela.

Quando o Tales, do Ninho de Escritores, me convidou para fazer o relato escrito do Creative Mornings, aceitei de imediato, mas bastante apreensiva: o evento me interessou assim que soube dele, mas como manter o padrão absurdamente alto de narração que o Tales desenvolveu nos últimos relatos? Resolvi ir com a cara e a coragem, sozinha, sem conhecer ninguém, e dar o meu melhor.

Durante o café da manhã já fui sacudida pela estranheza. Sou o tipo de pessoa acostumada com o pão-com-manteiga-e-um-pingado de todo dia, e que não faz questão alguma de ser saudável. Aí chego morrendo de fome no evento e todo mundo está comendo bolachinhas e bebendo o que meu subconsciente classificou como “coisas saudáveis” (de uma forma não muito lisongeira). Porrada da vida na minha cara quando experimentei aquele iogurte MARAVILHOSO sem lactose. Surprise, surprise, já comecei o dia de forma diferente e deliciosamente saudável!

Quando entramos no espaço aconchegante da House of Learning (nome propício) o clima estava maravilhoso e todos foram se acomodando nas almofadas coloridas e conversando entre si. Parecia um grande encontro de amigos! Com os comentários de abertura das organizadoras, descobri o tanto de gente que apoia o Creative Mornings de São Paulo e fiquei orgulhosa de estar ali prestigiando tudo aquilo. E então fomos musicalmente conquistados.

Cris Romagn é um cantor do sul que, além de participar de todos os Creative Mornings de lá, faz questão de vir para São Paulo nos daqui também. E melhor ainda, ele cria uma música especial para cada encontro (aguardamos um CD especial do CM sim ou com certeza?)! A música da vez, que dá título a esse texto, foi cantada ao vivo e, como a letra foi impressa e distribuída, todo mundo conseguiu cantar junto. Foi lindo!

“É difícil escolher um caminho para falar de um tema tão aberto.” Foi assim que Felipe Campos começou a palestra, e manteve o argumento falando de-tudo-um-pouco durante a meia hora de apresentação, em que usou textos, poemas e fotografias de referência para complementar a própria visão de WEIRD. Começando por Rondônia (que não é Roraima!), Felipe falou sobre a estranheza de viver tão míope para o que acontece no mundo, isolados por algoritmos em um abismo digital, onde só alcançamos informações seletas e não conseguimos nos conectar realmente com outras realidades ou outros contextos. Falou também sobre como o mundo está mais pluralizado, com pessoas sendo cada vez mais únicas e valorizando as diferenças como uma coisa boa.

“Estamos sendo obrigados a enxergar as diferenças e desigualdades”, foi uma das frases que ele usou. Em uma época onde todos estamos sendo incentivados a abraçar as próprias esquisitices, precisamos olhar o mundo através de lentes diferentes, admitindo (e mudando) a nossa inerente ignorância sobre a vida e o universo dos outros. E precisamos estar preparados para aceitar a estranheza do outro. Essa foi a mensagem mais forte do dia!

E então chegou o fatídico fim, como em tudo na vida, e o evento foi finalizado com muitos agradecimentos, palmas, e uma notícia ótima: uma nova parceria para o próximo Creative Mornings de SP! E com uma facilitação gráfica maravilhosa feita em tempo real pela Vivian Dall’Alba! Então fica o convite a todos para comparecer no próximo Creative Mornings e ter uma experiência marcante!


Originally published at Tales Gubes.

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